Quando se fala em preservação do patrimônio arquitetônico de uma cidade, o primeiro alvo são prédios ou monumentos que tenham valor histórico, cultural ou afetivo para os moradores. Para o arquiteto Humberto Yamaki, professor do Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no entanto, conjuntos de paisagens também devem ser valorizados e preservados. Ele cita, como exemplo, as casas de madeira antigas de duas das vilas mais antigas da cidade: Casoni e Nova, ambas na Área Central de Londrina.
''Estes conjuntos de casas de madeira da Vila Casoni, por exemplo, poderiam ser alvo de tombamento'', opina. ''Na verdade, temos pensado mais em conjunto de paisagem do que prédios isolados'', reafirma. ''Desta forma'', continua Yamaki, ''é possível determinar a atmosfera de determinados bairros, determinadas ruas de Londrina.'' Apesar da especulação imobiliária, várias ruas da Vila Casoni mantém sequências de casas de madeira, o que cria um clima de cidade pequena no bairro.
Em 1939, foi feita uma lei proibindo a construção de casas de madeira no quadrilátero central. A idéia era construir uma urbes moderna. Tirar as casas de madeira do Centro fazia parte da modenização da cidade'', relata o arquiteto. Yamaki destaca, porém, que a conservação da memória arquitetônica não implica na fossilização da cidade. Para ele, é necessário preservar e, paralelamente, construir o patrimônio. ''Quem sabe uma construção nova de hoje seja o patrimônio de amanhã'', avalia.
Para Yamaki, os processos de tombamento não devem ter limites. ''Até onde tombar? Até onde a vista alcança.'' E os próprios limites de alcance da vista podem, de acordo com o arquiteto, ser alvo de tombamento. Ele relembra: ''Nos anos 80, logo que cheguei a Londrina, discutimos a questão do pátio da antiga rodoviária (atual Museu Histórico). Sempre me chamou muito a atenção a gente ficar de pé no pátio e enxergar o horizonte, que aparece desde as fotos dos pioneiros. Esta paisagem é um patrimônio. E é possível tombar uma paisagem, não permitindo edificações altas. A vista é um patrimônio paisagístico'', salienta. A preservação das atmosferas dos bairros e regiões, no entanto, depende também de um cuidado sobre os espaços públicos, como as praças da cidade. ''A paisagem é efêmera. Muda todo dia. Mas os espaços públicos também contribuem com a definição da identidade da cidade'', acrescenta.
O Plano Diretor de Preservação do Patrimônio Cultural de Londrina, produzido por Yamaki e estudantes da UEL, propõe uma legislação para preservação desde conjuntos homogêneos até pontos históricos da cidade. Para ele, a importância da preservação é justificada pelo envelhecimento rápido da população nacional. ''Em 2020 serão 30 milhões de idosos no País. Vinte por cento devem desenvolver doenças relacionadas à memória. Também por isso é importante garantir a preservação de nossa memória cultural e histórica'', conclui.

mockup