Armazém inova mantendo a tradição
Nem sempre tradição e modernidade são conceitos excludentes. O Armazém Santana, localizado no bairro Uberaba, consegue ser, ao mesmo tempo, um bar que atrai o público jovem com música ao vivo e um armazém de secos e molhados que agrada à geração dos antigos frequentadores.
Diferente de muitos bares temáticos de hoje em dia, que buscam decorar o ambiente com objetos de época, de forma a emprestar ao lugar um ar nostálgico, todos os itens expostos nas paredes do Armazém Santana - como penicos, panelas de barro, foices, latões de leite e outros - são autênticos e podem ser comprados pelos clientes.
Quando foi inaugurado, em 1934, o ponto era parada obrigatória dos colonos que vinham de São José dos Pinhais para Curitiba de carroça. Segundo o administrador do local, Fábio André Szpak, neto do primeiro proprietário, ''naquele tempo o trajeto era feito a cavalo e o armazém era no meio do caminho. Como tinha um coxo, os viajantes paravam para dar água aos animais e aproveitavam para comprar mantimentos''.
O primeiro alvará tratava o estabelecimento como Taberna de Primeira Classe. Em 1950 houve novo alvará que mudou seu status para Armazém de Secos e Molhados. Há 10 anos, o local foi ampliado e hoje abriga um bar, mas sem perder a característica de armazém, que continua vendendo produtos coloniais e embutidos, além dos já mencionados utensílios domésticos.
''Quando os supermercados entraram na competição, fomos obrigados a expandir nossas atividades'', conta Fábio, para quem as mudanças ocorridas aconteceram naturalmente. Segundo ele, houve um trabalho mútuo de expansão e retração, onde a preocupação era ampliar as opções para os clientes, mas sem perder a tradição do ambiente.
O funcionário da Petrobras Waldir Mercer frequenta o armazém há nove anos e prefere ficar na parte rústica do local. Além da decoração, ele aprecia a gastronomia, que serve pratos típicos das cozinhas alemã e polonesa. Os amigos Osmar Ribas e Almir Lopes também preferem comer e beber na parte mais antiga. Para eles, a sexta-feira no Armazém Santana é sagrada. ''Já conhecemos o dono, o garçon sabe dos nossos gostos, estamos em casa'', conta Osmar. (A.A.)





