Armas para a televisão e para o BOPE
Ao ser indagado sobre sua produção de armas cenográficas, utilizadas em filmes e programas de televisão, o cuteleito Peter Hammer fecha a cara. ''Eu não faço réplica'', enfatiza. Contratado para desenvolver as armas brancas para as minisséries ''A Muralha'' e ''A Invenção do Brasil'', da Rede Globo, e para o filme ''Cleópatra'', do diretor Júlio Bressane, ele construiu armas de verdade. ''Eu mandava cortando e eles pediam para tirar o fio que os atores estavam se machucando'', lembra. Essa opção é preferida pelos produtores, pois, segundo ele, confere mais realismo às cenas. É preciso outra postura do corpo para empunhar uma arma real, mais pesada e cortante, do que uma arma cenográfica.
Antes de forjar esse tipo de peça, Hammer mergulha em uma ampla pesquisa sobre o período histórico que se pretende evocar. Visita colecionadores, museus, analisa pinturas de época e outros registros, tudo para descobrir as características de cada peça. Para ele, na hora de construir uma arma é preciso ''entrar na cabeça'' de um artesão daquele período para saber como ele faria aquele trabalho.
Essa aliás, é uma característica que Hammer leva como regra geral para seus trabalhos. Antes de produzir uma faca, ele pensa no que ele próprio esperaria deste objeto. ''Pra fazer uma faca de caça, ou o cuteleiro caça, ou caçou, ou conhece alguém que caça'', atesta.
Foi com essa visão que produziu as facas hoje utilizadas pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, que inspirou o filme Tropa de Elite, do diretor José Padilha. O convite apareceu antes do filme tornar o batalhão conhecido nacionalmente. Um primeiro lote de facas foi enviada à corporação para que fossem testadas no dia-a-dia das operações. O resultado foi quase positivo, a ponta de uma faca quebrou-se, isso porque Hammer não sabia ainda para que os oficiais do Bope utilizavam estas armas. ''Era pra arrombar porta'', conclui. Com isso, o segundo lote já foi produzido em um tamanho menor e com a ponta reforçada. Até o momento nenhum ítem apresentou defeitos.
Mas nem todas as encomendas são tão bem recebidas pelo cuteleito. ''Se o pedido do cara vai resultar num objeto inútil eu não faço'', diz. Nesse aspecto ele se lembra de ter recusado uma encomenda de uma espada de proporções monstruosas inspirada em um jogo de videogame. (A.A.)





