Armas contra as marcas do tempo Iara Lessa Quem pensa que se preocupar com a beleza é apenas mais um modismo com data de validade, lá vai: o filósofo grego Platão (428-347 A. C.) dedicou-se ao tema. Platão foi o primeiro ocidental que se tem notícia a fincar sua estaca de idéias na beleza e afins. No rastro de Platão, gente do calibre de Aristóteles, Racine, Kant, Nietzche, Freud e Sartre, só pra citar alguns, também se embrenharam pelas trilhas da beleza. Hoje, amiga inseparável da estética, a beleza deixa o vago plano da filosofia e ganha novas armas para combater às marcas do tempo. Nunca tentou-se tanto combater as rugas como agora. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, a fabricação de produtos antienvelhecimento, como cremes e loções, vai muito bem, obrigado! Em um ano, cresceu de 354 toneladas para 567 toneladas. Nos Estados Unidos, esse mercado movimenta cerca de US$ 6 bilhões por ano. Nesse domínio fazem mais sucesso os cremes de múltiplas funções, aqueles que (segundo a propaganda) hidratam, estimulam as células da pele, retardam o envelhecimento e ainda protegem de raios de sol ou de lâmpada. A venda de cremes cresceu mais de 500% nos últimos três anos. Para a médica dermatologista Jorgete Megid Carrilho, de Londrina, a preocupação com as marcas do tempo deve começar cedo e requer alguns cuidados ao longo da vida. ‘‘O sol e o fumo estão entre os maiores vilões do envelhecimento da pele’’, explica Jorgete. Não é para menos. A famigerada nicotina entope as microveias responsáveis pela circulação e acaba prejudicando a irrigação da pele. Esse processo ainda causa flacidez no rosto, deixando vincos profundos, principalmente na região ao redor da boca. Quanto ao sol, os raios destroem as fibras de colágeno e elastina, causando flacidez e muitas rugas na região dos olhos e na testa. Eles também deixam a renovação celular mais lenta, fazendo com que a pele fique mais espessa e com manchas. Segundo a médica, que é Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, é geralmente aos 25 anos que os cuidados devem começar. ‘‘Nesta idade, um sabonete adequado à pele, uma boa hidratação – de preferência com filtro solar – e cremes que estimulem a formação de colágeno devem ser suficientes para manter a pele saudável, sem manchas, acnes ou rugas’’, diz. Mas, e se as rugas aparecerem (e acredite, elas virão), qual a dica? Para a dermatologista, no caso das rugas já instaladas o jeito é mesmo se submeter a alguns dos muitos tratamentos oferecidos pela medicina estética. ‘‘É necessário uma avaliação do tipo de pele e suas necessidades para a indicação, mas em geral, esses tratamentos rendem ótimos resultados’’. A nova promessa de beleza da temporada responde pelo nome de N6 Furfuriladenina. A substância, assim como o ácido retinóico, estimula a formação de colágeno e promove a renovação celular. E as promessas vão além. ‘‘O N6 Furfuriladenina é menos agressivo e pode ser usado sob o sol sem o risco de manchar a pele’’, diz Jorgete. Ainda em alta e cada vez mais popular, o Botox parece ser mesmo a vedete dos tratamentos. A substância, que é injetada, preenche a ruga com ótimos resultados. O grande problema do Botox parece ser seu tempo de duração. De quatro a seis meses, depois é preciso fazer, pelo menos, uma manutenção. Com ação mais duradoura, o Ácido Ialurônico é outra técnica de preenchimento que faz milagres. Segundo a médica Jorgete Carrilho, os resultados podem durar até dois anos. ‘‘A aplicação é bastante tranquila, não costuma dar reações alérgicas e, em geral, o edema que se forma após a aplicação é bem discreto’’, conta. Os tratamentos são inúmeros. De peelings a pequenos implantes de fios e outras substâncias. Não é à toa que os brasileiros gastaram, só no ano passado, cerca de R$ 5 bilhões em produtos e tratamentos de beleza.