ARMADILHAS RURAIS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de maio de 2001
Katia Baggio De Ivaiporã Especial para a Folha 
Muitas estradas rurais do Vale do Ivaí tiveram a pavimentação iniciada pelo governo do Estado, mas as obras foram interrompidas por falta de pagamento das empreiteiras. Como consequência, alguns trechos onde o solo foi compactado para receber o asfalto transformaram-se em armadilhas para os agricultores e familiares, especialmente em dias de chuva. Muitos atestam que as estradas ficam lisas e escorregadias e os acidentes são comuns. Em outras, não há qualquer providência para melhorar as condições de tráfego e a terra fica encharcada, atolando até mesmo tratores com correntes nas rodas e pequenos veículos.
Na estrada que liga o distrito de Ubaúna ao município de São João do Ivaí, o agricultor Luis Carlos Belli lembra que havia cascalho, mas depois eles (a empreiteira) compactaram e não continuaram o serviço e agora quando chove a pista fica lisa como sabão e a gente tem que ficar com o caminhão parado, sem escoar a produção.
A falta de pavimentação também traz problemas para as crianças da zona rural, que passaram a estudar em escolas públicas da área urbana, depois que as escolas foram fechadas no campo, em algumas localidades. Quando chove, os ônibus deixam de recolher os alunos nos sítios e chácaras para evitar o risco de atolar.
Na Escola Municipal Ângelo Imposseta, em Kaloré, dos 450 alunos, 250 são do campo e praticamente metade deles deixam de assistir às aulas quando chove. A professora Marli de Oliveira, da 2ª série, diz que dos 25 alunos da turma, 12 faltam até três dias seguidos em dias chuvosos. O desempenho deles fica prejudicado, mesmo quando aplicamos as provas perdidas ou os colegas ajudam com as matérias.
O agricultor José Roberto Fiori confirma o tráfego sobre a terra batida, sem qualquer preparo. Quando chove ficamos presos em casa e quando tem alguma urgência, a gente chega a andar três quilômetros a pé para buscar socorro. A criança não vai para a escola e a produção fica parada, atesta.
O deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB), relacionou pelo menos nove trechos, que somam 104 quilômetros, nos quais as empreiteiras começaram os trabalhos, mas não concluíram (veja quadro).


