Muitas estradas rurais do Vale do Ivaí tiveram a pavimentação iniciada pelo governo do Estado, mas as obras foram interrompidas por falta de pagamento das empreiteiras. Como consequência, alguns trechos onde o solo foi compactado para receber o asfalto transformaram-se em ‘‘armadilhas’’ para os agricultores e familiares, especialmente em dias de chuva. Muitos atestam que as estradas ficam lisas e escorregadias e os acidentes são comuns. Em outras, não há qualquer providência para melhorar as condições de tráfego e a terra fica encharcada, atolando até mesmo tratores com correntes nas rodas e pequenos veículos.
Na estrada que liga o distrito de Ubaúna ao município de São João do Ivaí, o agricultor Luis Carlos Belli lembra que havia cascalho, ‘‘mas depois eles (a empreiteira) compactaram e não continuaram o serviço e agora quando chove a pista fica lisa como sabão e a gente tem que ficar com o caminhão parado, sem escoar a produção’’.
A falta de pavimentação também traz problemas para as crianças da zona rural, que passaram a estudar em escolas públicas da área urbana, depois que as escolas foram fechadas no campo, em algumas localidades. Quando chove, os ônibus deixam de recolher os alunos nos sítios e chácaras para evitar o risco de atolar.
Na Escola Municipal Ângelo Imposseta, em Kaloré, dos 450 alunos, 250 são do campo e praticamente metade deles deixam de assistir às aulas quando chove. A professora Marli de Oliveira, da 2ª série, diz que dos 25 alunos da turma, 12 faltam até três dias seguidos em dias chuvosos. ‘‘O desempenho deles fica prejudicado, mesmo quando aplicamos as provas perdidas ou os colegas ajudam com as matérias’’.
O agricultor José Roberto Fiori confirma o tráfego sobre a terra ‘‘batida’’, sem qualquer preparo. ‘‘Quando chove ficamos presos em casa e quando tem alguma urgência, a gente chega a andar três quilômetros a pé para buscar socorro. A criança não vai para a escola e a produção fica parada’’, atesta.
O deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB), relacionou pelo menos nove trechos, que somam 104 quilômetros, nos quais as empreiteiras começaram os trabalhos, mas não concluíram (veja quadro).

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