Área de poços está abandonada
O primeiro local onde a Petrobras constatou a existência de gás em Pitanga, em 1997 e 1998 - e se transformou num frenesi alimentado por 300 trabalhadores e pela presença constante de autoridades, representantes da imprensa e curiosos em geral -, voltou a ser exatamente o que era antes: parte de uma fazenda em meio à montanhosa região do distrito rural de Barra Bonita.
As instalações dos poços BB 1 e BB 2, cuja capacidade de produção foi estimada em 150 mil m3 por dia na época, estão lacrados e abandonados. A paisagem bucólica, composta pela pecuária em terrenos montanhosos, e o vento forte e contínuo, não chegam a interromper o silêncio que predomina no antigo campo.
O contraste com o período das perfurações não poderia ser maior: no fim dos anos 90, a Petrobras instalou um acampamento para centenas trabalhadores no próprio terreno, e a circulação de pessoas e veículos era frequente. A empresa chegou a se responsabilizar pela manutenção da estrada de chão batido que liga o campo ao centro de Pitanga, a 40 km.
A estimativa inicial de produzir 150 mil m3 de gás por dia nos poços BB 1 e BB 2 foi reduzida para 93 mil m3, segundo o Ministério de Minas e Energia, ou 55 mil m3, para a Companhia Paranaense de Gás (Compagás). (F.C.)
Sou funcionária pública, mas naquela época pedi licença para trabalhar para uma das empresas que vieram para cá, como muitos outros pitanguenses. Eram uns 330 homens e eu ajudava na cozinha. Meu salário, se fosse hoje, valeria uns R$ 1.600, eles pagavam muito bem. Além disso, a gente tinha acesso a tudo do bom e do melhor. A primeira vez que comi frutos do mar foi lá. Tenho muita saudade daquele tempo.
Marilene Genu, 36 anos auxiliar de enfermagem
Para Pitanga, aquela época pareceu o auge da soja, todo mundo ganhou dinheiro. Tenho várias salas comerciais e aluguei tudo para eles, pelo dobro do valor que consigo hoje. Teve gente que saiu das suas casas e alugou para os estrangeiros, porque o preço compensava. Eu também advoguei para eles em causas trabalhistas e desapropriações. Quando foram embora, sobrou só o dinheiro da agricultura, que é pouco para a cidade crescer.
Valdecy Schon, 41 anos
advogado
A gente atendeu aquele povo todo da Petrobras e da El Paso na época em que estavam pesquisando o gás na cidade. Eles compravam todo tipo de auto-peça, da linha leve a caminhonetes e caminhões. Às vezes a gente chegava a vender 30 baterias de uma vez só, não sei nem para que usavam o material. Quando os engenheiros vieram para a cidade, todo o comércio melhorou. Se voltasem, sem dúvida iam dar um impulso na economia de Pitanga e região.
Antônio Baran, 63 anos - comerciante





