Araupel: uma nova oportunidade para assentados
Os embaraços da história se põem entre as cerca de 1.500 famílias na Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros a leste de Cascavel), o maior assentamento da América Latina. Apesar de ainda não terem nas mãos o título de posse da terra, os camponeses divididos em lotes, já colhem os frutos da reforma agrária.
Uma história que perpassa a Guerra do Contestado, em que os 53 mil hectares da Araupel, antiga Giacometti Marodin, viraram motivo de divergência jurídica, atualmente se reportando quanto à nulidade ou não da titulação dos 25 mil alqueires que estão sendo adquiridos pelo Incra. A controvérsia tem origem na titulação concedida pela União à empresa, para que construísse uma ferrovia. A obra nunca foi iniciada e, no governo Getúlio Vargas, um decreto presidencial cancelou o título.
Sem entender muito o que significam as demandas judiciais, as famílias, como a de Anélio Moraes, 42 anos, tentam tirar o sustento da terra, cultivando em 4 alqueires feijão, arroz, mandioca e milho. ''Em 1999, o pessoal abriu aqui um acampamento com 10 famílias. Sou de Chopinzinho. Aí ouvimos no rádio e viemos para cá no dia 10 de maio, às 3 horas da manhã. Quando amanheceu já estávamos com o barraco montado. A maioria de nós éramos agricultores, mas também havia gente que não tinha vínculo com a terra'', lembra Moraes, que, como outros assentados, está há 10 meses no lote.
Uma colheitadeira comprada de sociedade, geladeira a gás, luz e televisão tocados à bateria de carro, e um automóvel ano 86 são alguns frutos da reforma agrária plantados no quintal da casa de Luciana de Oliveira, 30 anos, que vive com o marido e um filho em 4 alqueires. ''Não pensamos em aumentar a família. Pensamos em trabalhar porque não adianta ganhar a terra se não trabalhar. Porém, a terra não tem ajudado. O que a gente colheu não deu para pagar as dívidas'', afirma a assentada.
A Araupel está na lista dos 10 maiores exportadores de madeira do Brasil, sendo uma das empresas que mais gera emprego em Quedas do Iguaçu. Na avaliação do secretário interino de Agricultura do município, Roberto Nogueira, os sem-terra assentados na região podem contribuir para a economia da cidade, já que realizam compras de insumos e outros produtos. A agricultura representa cerca de 30% dos impostos gerados no município, que ainda conta com royalties de R$ 800 mil mensais de Salto Osório. ''Avalio que, futuramente, a presença dos assentados será boa para o município'', acredita o secretário interino de Agricultura, Roberto Nogueira.
(F.L.)





