O cenário composto por um único grande polo regional de atração com cidades menores gravitando sobre sua sombra pode se alterar num futuro próximo. Observando a Região Metropolitana de Londrina (RML), o pesquisador da área de RM do Departamento de Geociências na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fábio César Alves da Cunha, analisa que o maior aquecimento econômico pode provocar a descentralização industrial dos grandes centros para o entorno, o que, por sua vez, favorece as migrações pendulares.
Cunha argumenta que aos conglomerados industriais interessa reproduzir o capital de forma mais rápida e lucrativa. E muitos municípios menores têm oferecido melhores condições para tanto, oportunizando isenção de impostos, doando áreas e garantindo mão de obra qualificada e mais barata do que grandes cidades. Por isso, diz, a tendência é que estes centros menores deixem também de ser apenas cidades dormitório.
Na Região Metropolitana de Londrina, ele cita os exemplos de Cambé e Arapongas, que já são fortemente industrializadas e ocupam trabalhadores de cidades vizinhas. Situação que pode se tornar ainda mais comum se, de fato, for implementado o trem de passageiros ''pé-vermelho'' ligando Londrina a Maringá.
Assim como o Observatório das Metrópoles, Cunha também critica o viés político que envolve o planejamento destas áreas e a inclusão de municípios sem relação clara com os demais integrantes. No caso da RML, ele não concorda com a entrada de Assaí, Alvorada do Sul e Primeiro de Maio. ''É preciso ter o fenômeno metropolitano, porque a RM é uma instituição a mais de planejamento regional, que visa dar conta dos problemas metropolitanos e do futuro. Há problemas hoje, por exemplo, que já não cabem mais somente a Londrina ou a Cambé resolverem. Entre Londrina e Primeiro de Maio, que está a 70 quilômetros, a realidade é outra.''
O transporte metropolitano, por exemplo, não abrange Assaí mas chega até Sertanópolis, onde mora a costureira Danieli Araújo, 31 anos. ''Saio às 5h40 de casa e pego seis ônibus por dia, mas lá não teria a oportunidade que tenho aqui e o mesmo salário'', contabiliza, revelando que a maioria das 352 colegas de trabalho são de outras cidades. Dia sim, dia também, a funcionária da Copel em Londrina, Jenifer Franciele Sanches, 18, também madruga para chegar no escritório às 8h15. ''É bem cansativo, mas lá é um bem mais difícil de encontrar trabalho por ser uma cidade pequena.'' (L.A.)

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