A vida submersa na imensidão de águas que cobrem o planeta sempre fascinou os homens. Nos rios, mares, represas ou lagos, um mundo diferente, repleto de cores e formas deslumbrantes se esconde dos humanos, privados pela natureza de sobreviver entre os peixes e outras criaturas aquáticas. A vontade humana de trazer esse outro mundo para a vida terrestre resultou em um hobby dos mais antigos: o aquarismo. Para se ter uma idéia, o italiano Marco Polo, em uma das suas viagens à China, no século 13, relatou que naquela época os orientais já criavam peixes em tanques de vidro. ''Todo mundo já teve um pequeno aquário e acabou matando um peixinho'', brinca o funcionário público Américo Guazelli, um dos representantes londrinenses de uma vertente do aquarismo que se tornou uma paixão e a cada dia ganha mais adeptos: o aquapaisagismo; uma verdadeira arte que combina ciência e natureza e tem como objetivo oferecer à vida dentro dos aquários mais do que peixes.
No aquapaisagismo, o pequeno habitat entre vidros ganha muitos outros elementos, como troncos de árvores, pedras e plantas. Os ''peixinhos'' passam a ser parte do trabalho. O resultado final é de encher os olhos.
Em alguns casos, a diversão se torna uma terapia ou até um ''saudável vício.'' Com Guazelli foi assim, ele começou com os peixes, depois decidiu que também queria plantas em seu aquário. Em 2005, começou a pesquisar, a pensar em montagens de paisagens diferentes. Hoje, tem 18 aquários e já conquistou um título nacional no Concurso Brasil de Aquapaisagismo - o mais importante do País -, na categoria para peças com capacidade inferior a 60 litros.
Outro craque pé-vermelho na arte de criar paisagens em aquários é o comerciante Rony Suzuki, que está entre os melhores do mundo - ele já foi terceiro colocado em um concurso internacional realizado nos Estados Unidos e ficou entre os 50 melhores no maior campeonato mundial, promovido por uma empresa japonesa. No campeonato brasileiro, Suzuki é um dos três juízes.
Autodidata, o comerciante apaixonou-se pelo aquapaisagismo em 1993, quando foi trabalhar no Japão. ''Eu estava em uma estação de trem, em Tókio, quando vi um aquário com paisagismo. Fiquei tão encantado que perdi o trem que esperava. Voltei para o Brasil com as malas cheias de livros sobre o assunto'', conta.
Inspirado nas obras do japonês Takashi Amano, considerado o mestre mundial na arte de plantar em aquários, Suzuki, por sua vez, acabou se tornando uma referência em Londrina. Incentivou muita gente a começar com o aquapaisagismo e fez do que era um lazer a sua profissão. Atualmente, ele comercializa plantas e oferece consultoria para quem deseja começar na atividade.
Atualmente, Londrina é referência nacional no assunto. Além de Guazelli, outros três pés-vermelhos ficaram entre os dez melhores do país no último concurso nacional. Porém, fica um alerta dos campeões: é preciso muito conhecimento técnico (leia nesta página) e dedicação.

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