Aproveite ao máximo a pós-graduação
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quarta-feira, 19 de julho de 2017
Amanda de Santa<br>Especial para a FOLHA 

A escolha de um curso de especialização pode ser motivo de muitas dúvidas entre os profissionais. Existem aqueles que preferem emendar a graduação em uma pós, outros que optam por esse tipo de formação apenas para ter mais um certificado. Apesar de mais acessíveis hoje, as pós-graduações exigem, além do investimento financeiro, dedicação aos estudos para serem proveitosas de verdade. É por isso que especialistas recomendam alguns cuidados na hora de escolher uma área para se aprofundar.
O consultor empresarial Wellington Moreira orienta que os profissionais primeiro busquem algum contato com a área em que querem atuar antes de se matricular em um curso. "Tem muita gente que faz inicialização. Decide estudar logística sem nunca ter trabalhado com isso, por exemplo", aponta. Moreira afirma que, em muitas situações, os profissionais não aproveitam os estudos porque escolhem o momento errado da carreira para fazê-lo, aprendem pouco e acabam frustrados.
Para que o curso realmente contribua com o plano de carreira, Moreira diz que o profissional precisa, antes de qualquer coisa, entender que o tempo dedicado à especialização não se limitará apenas ao horário das aulas. "É importante separar algumas horas para leituras complementares, chegar à aula sabendo qual assunto será tratado para conseguir problematizar, tirar dúvidas", observa. Segundo ele, muitos estudantes acham que apenas pagar as mensalidades e comparecer à universidade é suficiente.
Colecionar certificados em diferentes áreas também não ajudará o profissional a ser bem visto no mercado. "Só conta para concurso público. O mercado pode enxergar que a pessoa, na verdade, não sabe o que quer da carreira", explica. Outro erro comum é deixar de investir em formações periódicas, o que não necessariamente significa ter que fazer uma pós-graduação por ano. "Muita gente fez boas formações há dez anos e depois não voltou a estudar. É importante se atualizar sempre", pontua. Às vezes, uma viagem a São Paulo para um congresso de três dias vale mais do que dois anos de curso.

A coach de comunicação e carreira, Cinthia Érika Araújo, ressalta que tanto a graduação como a pós-graduação são importantes para o currículo. Porém, hoje, como esses cursos estão mais acessíveis, o que diferencia o profissional no mercado é o tipo de habilidade e conhecimento que ele demonstra na prática. Para Cinthia, na hora de buscar uma especialização, o estudante deve levar em conta que tipo de competências deseja aprender ou aprimorar. "Tem que buscar diferenciação", recomenda.
Mesmo com o acesso facilitado à internet e o vasto conhecimento disseminado pela rede de computadores, muitos estudantes ficam esperando que o conteúdo chegue até eles. A coach de carreira destaca que atitude e determinação são fundamentais para que o aprendizado ocorra. "Às vezes, vemos profissionais que escolhem cursos numa excelente instituição de ensino, mas não se empenham o suficiente. Não basta apenas buscar a melhor pós, é preciso fazer os estudos renderem o máximo possível", aponta.
Na avaliação de Cinthia, existe ainda muita confusão em relação aos títulos, especialmente das pós-graduações stricto sensu, mestrado e doutorado. "As pessoas se iludem com o título", ressalta. Porém, ela avisa que, quando não há pretensão de investir na área acadêmica, é preferível apostar em MBAs ou mesmo mestrados profissionais, que são cursos excelentes e mais focados no mercado. "Tudo parte do autoconhecimento. É necessário se perguntar: o que eu quero para a minha vida?", reflete.
Ambos os especialistas afirmam que cursar uma pós-graduação não é garantia de empregabilidade. Porém, investir em educação, desde que de forma planejada, pode ser vantajoso até mesmo neste momento de crise econômica e desemprego em alta. "É preciso avaliar, primeiro, se o investimento financeiro é viável. Quem não está trabalhando pode dedicar mais tempo aos estudos", pontua Cinthia. Além disso, o fato de estar em busca de novos conhecimentos mostra aos futuros empregadores que o profissional não se acomodou, permaneceu atuante, mesmo que fora do mercado.


