Aprendizes da bola
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Com o crescimento das grandes cidades, sumiram do cenário urbano os tradicionais campinhos de várzea, onde muitos craques do passado foram revelados e outros tantos tiveram seu primeiro contato com a pelota. Hoje o processo de seleção dos grandes clubes, onde são garimpados os futuros mestres do esporte, migrou para as escolinhas de futebol, onde centenas de meninos entre seis e quinze anos sonham com um futuro no circuito profissional.
Para ampliar essa rede de busca, a maioria dos grandes times brasileiros possui franquias de suas escolinhas na maioria dos estados da federação. Esse é o caso do Flamengo, que possui dezenas de escolas espalhadas por todas as regiões do Brasil. Em Curitiba, há um ano, a franquia montou sua primeira Escolinha do Flá. Segundo seu coordenador, Jorge Luiz Santos, hoje 250 jovens treinam nas duas sedes da entidade.
Nem todos os meninos vão chegar ao futebol profissional, o trabalho de revelação de talentos fica em segundo plano, a principal prioridade aqui é o esporte, diz Santos. Para isso são desenvolvidas várias atividades lúdicas e cooperativas com a bola, como jogos adaptados e outras variantes do futebol. O importante é que eles tenham essa vivência do esporte, completa.
Quando um menino se destaca nas aulas, ele pode ser encaminhado para a categoria de base dos clubes. O centro de treinamento do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu, recebe aprendizes da bola do país inteiro através de suas franquias. O trabalho desenvolvido nessa fase é muito diferente daquele da escolinha.
Segundo Santos, o treinamento da base extrai o máximo de cada menino, enquanto que na escolinha não há cobrança de performance nem de rendimento. A preparação física também é mais amena. Não podemos puxar muito, senão o menino pode acabar se machucando e a intenção não é essa, explica. A intenção, segundo ele, é viver o futebol de várias maneiras.
Outro clube que veio a Curitiba em busca de novos craques é o São Paulo, que há dez anos instalou uma franquia de sua escolinha de futebol na capital paranaense. Entre os professores encontramos Pedro Maradona, ex-jogador que já passou pelos três maiores clubes da capital paranaense (Atlético, Coritiba e Paraná Clube).
Segundo ele, a principal direção do trabalho desenvolvido nas escolinhas é aprimorar a técnica dos meninos. Não trabalho o condicionamento físico, só exercícios com a bola, para eles desenvolverem a coordenação motora, explica.
Logo que chegam, os garotos treinam em canchas de futebol de salão, onde a bola e o espaço para manobras são menores, o que ajuda a aprimorar a técnica. Depois passam para o campo de grama sintética, que é um pouco maior, para finalmente começarem os treinos nos campos oficiais. Desse jeito eles vão se acostumando, aponta.
Outra forma de ir se acostumando com a rotina do esporte é a realização de campeonatos entre as escolas. No primeiro ano de existência da escolinha do Flamengo seus alunos viajaram a Nova Esperança, no Norte do Paraná, para disputar um campeonato regional. Também os jovens da escolinha do São Paulo costumam testar suas habilidades nas disputas do Campeonato Metropolitano, que reúne 12 equipes de Curitiba e região em cada categoria de idade.


