Aprendendo com crianças superdotadas
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Curitiba Eles estão acima da média, embora não sejam gênios. São motivo de orgulho para os familiares, mas muitas vezes são incompreendidos por professores e pelas escolas que freqüentam. As crianças com altas habilidades, conhecidas como superdotadas, têm poucas chances de estimular e desenvolver suas aptidões e, na maioria das vezes, passam a vida inteira sem saber que as possuem. É o retrato da falta de preocupação do Brasil com estes prodígios.
Entretanto, um grupo de 43 professores da rede estadual de ensino paranaense faz parte de um pequeno conjunto de pessoas que se reúne no Instituto de Educação, em Curitiba, para discutir e entender como lecionar sem prejudicar os superdotados que, antes de tudo, são apenas crianças.
De acordo com a coordenadora do grupo, Denise Matos Pereira Lima, especialista em educação especial e altas habilidades, em um grupo de 30 pessoas, uma pode ter altas habilidades. É muito mais comum encontrar crianças superdotadas do que pensamos, ressaltou. A discussão sobre o tema entre os professores do grupo faz com que percebam se há ou não indícios de altas habilidades, possibilitando que, em seguida, elas possam ter um acompanhamento especializado, com psicólogos e outros especialistas.
Elas (crianças) evidenciam características específicas. São curiosas e fazem perguntas com alto grau de complexidade para as idades que têm. O grupo divide muitas angústias e experiências sobre o tema, que servem como orientações para atender melhor o aluno, explicou Denise.
Quem pensa que o aluno com altas habilidades não tem problemas está equivocado. Muitas destas crianças sofrem preconceitos e são, normalmente, confundidos com pessoas hiperativas. Às vezes a pessoa com estas aptidões acima da média são confundidos com hiperativos, mas a hiperatividade é um transtorno neurológico. Além disso, esse aluno é facilmente deixado de lado nas escolas, o que é uma falha. Ele tem necessidades especiais e não é atendido da maneira como deveria, lamentou Denise.
Para o professor Gastão Octávio da Luz, mestre em educação, perde-se muitos jovens talentos, que vão brilhar em outros países, que possibilitam desenvolver suas habilidades. O Brasil não sabe lidar com isso. Temos que ter profissionais que saibam trabalhar com foco. Existem vários problemas, como não saber lidar com alguém que pode saber mais que você, afirmou o professor.
Luz é um dos professores voluntários que lecionam também entre alunos com altas habilidades num programa chamado Sala de Recursos, uma preocupação da Secretaria Estadual de Educação com o tema. É uma nascente, mas é muito sólido, afirmou. O programa tem 66 alunos com aptidões diversas. A Sala de Recursos funciona no contraturno e os estudantes são atendidos de acordo com a necessidade de cada um. Os grupos se formam a partir das áreas optadas por eles (alunos), contou o professor.
Embora o interesse neste tema ainda esteja no começo dentro das escolas públicas, os colégios particulares parecem estar alheios a questão. Segundo Luz, a escola particular tem apenas o interesse voltado ao vestibular. A maioria dos alunos atendidos na Sala de Recursos são das escolas públicas, mas também não deixam de acompanhar estudantes de instituições particulares.
A FOLHA procurou três integrantes da direção do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR), mas a presidência e a vice-presidência não quiseram se manifestar.


