Aprendendo a arte do circo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de julho de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
No último final de semana a Capital recebeu interessados em aprender a arte das técnicas circenses. Aproximadamente 300 pessoas participaram das oficinas do 2º Festival Curitibano de Circo, promovido pela TripCirco. Uma delas foi a professora Marília Pereira Vicentini, 49 anos. Ela mora em Joinville (SC) e veio para Curitiba especialmente para participar das aulas. Porém, não estava sozinha. Convidou a filha Elisa, 22, para também fazer os cursos e aprender as técnicas do circo.
Entre as muitas oficinas que a dupla participou, a última foi de diabolo, feita com duas baquetas ligadas por uma corda fina que realizam movimentos de malabarismo utilizando um objeto de plástico, semelhante a dois copos pequenos grudados pela base. Marília já possuía o equipamento em casa, mas ainda não dominava a técnica. No curso ela aprendeu a ter velocidade no manuseio dos bastões.
As técnicas circences podem ser utilizadas também na escola. Nos dá percepção na construção e desconstrução do raciocínio. A escola tem que ser alegre já que a criança fica quatro horas sentada olhando para o quadro. Isso é entediante. Temos que trabalhar com o lúdico e ativar a flexibilidade, explica Marília. Segundo a professora, por meio das técnicas do circo é possível desenvolver métodos de linguagem e cálculos matemáticos.
A filha Elisa é estudante de medicina e acredita que também poderá utilizar o que aprendeu nas oficinas de circo. Muita coisa que vemos no desenvolvimento neurológico podemos ativar com estes exercícios, incluindo casos de reabilitação física, conta a estudante. A mãe diz que as possibilidades de ensino utilizando as técnicas do circo são muito ricas.
Algumas pessoas que fizeram as oficinas não são amadoras. É o caso da engenheira civil Sabrina Gralik, 24. Ela pratica exercícios no tecido acrobático há um ano. No Festival Curitibano de Circo fez workshops de corda indiana e corda bamba.
Fui atleta de ginástica rítmica e tive que parar quando comecei a faculdade. Senti muita falta. Mas não queria fazer um exercício que fosse monótono. Então optei pelo circo. Além de ser uma atividade física também é lúdico, explica Sabrina.
Ao todo dez profissionais trabalharam na organização do festival. Entre eles estava o professor de diabolo Daniel Skroski, 28. Ele diz que o mais difícil em jogar com o equipamento é embalar os bastões corretamente. Tem gente que consegue jogar com cinco diabolos ao mesmo tempo, explica.
Com R$ 80 é possível comprar o material necessário para praticar a técnica. Mas se for importado o valor pode saltar para R$ 200. Segundo o professor, para aperfeiçoar a técnica é necessário ter o equipamento em casa e praticar no mínimo três vezes por semana.
A atriz e educadora Cris Bruel, 38, constrói claves de material reciclado com garrafas PET, cabo de vassoura e fitas adesivas. Com o material, uma amiga dá aulas de circo para crianças carentes. Cris aproveitou as oficinas para aprender a usar as claves e agora poderá, além de construir as garrafas, ensinar as crianças. Ela também fez workshops de malabarismo com bolas, corda bamba e mágica.
O festival reuniu aproximadamente 30 opções de oficinas, como malabares, aéreos, equlíbrio, clown, iniciação circense, mágica, pirofagia e produção cultural. As aulas foram realizadas no campus de Educação Física da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A terceira edição do Festival Curitibano de Teatro está confirmada para 2009, mas ainda sem previsão de data.


