As primeiras palavrinhas surgem felizes no branco do papel e cada novo respingo de tinta vai desenhando a esperança de que em Londrina os dias que virão têm tudo para ser de alegria. Neste septuagésimo quarto aniversário da cidade, a expectativa positiva surge em razão dos números atuais da educação: pelo menos três em cada dez londrinenses estão estudando.
  As estatísticas oficiais indicam que a comunidade estudantil soma cerca de 150 mil estudantes para uma população de 500 mil pessoas: são mais de 32,5 mil na rede municipal (infantil e municipal); quase 60 mil na rede estadual (fundamental e médio); outros 21 mil em 155 escolas particulares; e 30 mil no ensino superior – 14 mil nas duas públicas, Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Tecnológica Federal (UFTPR), e 16 mil em 10 instituições privadas. E apenas na UEL, há ainda cerca de 3,5 mil estudantes em pós-graduação.
  Professor de política e gestão escolar na UEL e membro do Conselho Estadual de Educação, Edmilson Lenardão observa que o percentual de 30% de população estudantil é representativo. Ele entende que, quanto maior o grau de escolaridade, melhores são os indicadores sociais como saúde, emprego e desenvolvimento econômico. E, quanto mais tempo de estudo, mais o indivíduo exige acesso aos direitos básicos. Por isso, ele defende que a educação precisa se articular com outras políticas públicas.
  Para melhorar ainda mais este panorama, diz o educador, o município deve atacar deficiências como a pouca abrangência do período integral, a falta de vagas em creches públicas, a terceirização de serviços educacionais e a falta de sincronia entre formação continuada dos professores e progressão na carreira. ‘‘Temos muito que crescer mas nossas condições são muito boas. A parte física, por exemplo, é suficiente para darmos um salto de qualidade pedagógico. Se o investimento humano for melhor utilizado, estamos com a faca e o queijo na mão’’, avalia.
  A secretária municipal de Educação, Carmem Sposti, concorda e ressalta que é preciso trabalhar mais na atualização dos professores e na ampliação do uso das novas tecnologias. ‘‘Não dá mais para a escola ficar nesta situação inerte de giz, apagador e saliva de professor.’’ Exemplo, por enquanto solitário desta modernização, é a Escola Municipal Professor Carlos da Costa Branco, na Zona Sul, onde alunos do pré à quarta série têm aulas de inglês.
  Uma realidade que está presente em boa parte das instituições privadas. ‘‘Somos um mercado de ponta’’, atesta o presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Londrina e Região (Sinepe), Marco Antônio de Souza. Ele diz que as escolas buscam atualização constante visando a excelência no ensino que oferecem e o Sinepe chancela com o ‘‘Selo Escola Legal’’ as que primam por uma administração eficiente e transparente. ‘‘A escola é agregadora de pessoas, pólo gerador de movimentos e valores humanos. Onde tem educação, o entorno floresce como aconteceu com Londrina, que hoje é uma cidade transformadora’’, conclui Souza.

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