Apenas o necessário
De acordo com Benyah, são poucas as regras que regem a vida na comunidade. A principal delas, ao que parece, é abandonar a individualidade para viver em função do grupo. Tudo é dividido, ele explica, ''mas não de uma forma comunista, rigorosamente igual''.
Cada irmão elabora uma lista do que precisa, e a distribuição de roupas e outros objetos pessoais é feita de acordo com as necessidades - que não são muitas, já que todos se vestem da maneira mais simples possível.
No entanto, existe uma certa rotina a ser seguida. Todos acordam às 6 da manhã e uma hora depois já estão reunidos na casa central. Ali eles rezam, cantam e dançam antes da primeira refeição. Também praticam exercícios, como caminhada e alongamento. O trabalho para valer começa às 8 horas. Há atividades para todos: limpar, cozinhar, lecionar, plantar, construir, costurar, etc.
O almoço, com base em alimentos naturais e orgânicos, inclui mais uma sessão de oração, dança e cantoria. O mesmo acontece no fim da tarde, quando termina a jornada. E assim vai, até às 22 horas, quando o grupo se recolhe para dormir. Televisão, nem pensar. ''A gente até tem uma. Mas só usa de vez em quando, para ver algum vídeo gravado aqui mesmo'', conta Shoresh, que teve sua festa de casamento registrada.
Nem tudo é harmonia na comunidade, claro. Quando surge algum impasse, é acionado um conselho composto por sete homens ''responsáveis'', como diz Benyah. As mulheres só podem participar de um outro conselho, formado por casais.
Normalmente, quem cria problemas são aqueles que contribuem menos para a coletividade. Se a situação se agrava, a pessoa é convidada a se retirar. ''Não deixamos os conflitos sem resolução'', garante Benyah. ''O que nos mantém unidos é justamente a paz que temos uns com os outros'', completa Shoresh. (O.G.)





