Um tratamento ortodôndico simples para corrigir um dente encavalado tornou-se um pesadelo para uma adolescente de 16 anos, moradora da Zona Norte de Londrina. Procedimentos inadequados resultaram em prejuízo financeiro, sofrimento desnecessário e risco de perda de parte da dentição. De acordo com o Conselho Regional de Odontologia (CRO) em Londrina, o problema é bastante comum na cidade. Possíveis punições, no entanto, são raras, já que dependem de denúncia formal das vítimas.
Outro problema é a realização de tratamentos corretivos. Normalmente, são mais complicados e demorados. Casos passíveis de solução em menos de dois anos, tempo médio dos procedimentos simples, arrastam-se por muito mais tempo e o paciente é obrigado a pagar a taxa mensal de manutenção desnecessariamente. O ortodontista Rogério Attilio Vanzo é um dos profissionais que já recebeu pacientes vítimas de tratamentos equivocados.
''É muito mais difícil pegar um caso para consertar do que iniciar um tratamento. O perigo é que pode acontecer de chegar a um ponto irreversível e o paciente precisar de um implante ou prótese'', revela Vanzo. Segundo ele, o uso de força desproporcional, por exemplo, pode causar danos à raiz e até a perda do dente.
O diploma de especialização em ortodontia também não é garantia de segurança. O ideal, mais uma vez, é checar a reputação do profissional. Por outro lado, existem dentistas que não possuem a titulação mas realizam tratamentos de qualidade. A legislação não impede profissionais de atuarem porque o curso de graduação ensina noções da especialidade. ''Tem muitos dentistas que não têm especialização mas são muito bons'', garante o presidente do CRO-Londrina, Antônio Ferelle.
O caso da adolescente da Zona Norte de Londrina é exemplar. O aparelho fixo foi colocado em 1998 e a previsão inicial do profissional era de ela deveria ficar quatro anos com o aparelho. O estopim da relação entre paciente e dentista foi a questão financeira. Por não poder pagar a mensalidade por dois meses, o ortodontista sugeriu a interrupção temporária no tratamento, que seria retomado quando as dívidas fossem quitadas. Outra consequência foi o sofrimento da paciente, que teve inflamação na gengiva e dificuldade até para se alimentar. A solução encontrada foi procurar outro dentista.
A exemplo da jovem dos Cinco Conjuntos, a maioria das vítimas prefere não denunciar prejuízos. As desculpas principais são o medo e a dúvida em relação à possível punição. Com a denúncia formal, o CRO abre um procedimento administrativo que pode resultar em diversos níveis de punição: advertência e censura confidenciais em nível reservado, advertência e censura públicas, suspensão e cassação.

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