Aparecer é sinônimo de que se faz sucesso
Com a necessidade do registro, os fotógrafos começam a penetrar no mundo da alta sociedade, onde eventos e festas são tão importantes quanto as reuniões de negócio. Geralmente, os fotógrafos trabalham por conta, em parceria com as assessorias de imprensa contratadas para promover os eventos. O valor é cobrado por hora. "A sociedade curitibana é muito grande, mas as pessoas em evidência são poucas", comenta o fotógrafo Diego Pisante, 27 anos. No meio de tanta gente, é preciso aprender a selecionar quem interessa realmente. E quem interessa tem de se encaixar na equação "fazer um trabalho importante + momento de sucesso + família tradicional = pessoa a ser fotografada", diz Pisante.
"O segredo é descobrir como funciona. Entender como é o estilo de cada colunista, saber montar as fotos, colocar juntas as pessoas importantes. Saber quem é quente de verdade exige muitos anos de mercado", diz Naideron Jr.. Gerson Lima, 46 anos, fotógrafo social em Curitiba há 10 anos, concorda. Só o tempo de fotografia, aliada ao que ele chama de humildade, garante boas imagens e bom relacionamento. "É um mundo de muito glamour. Muitas vezes o fotógrafo acaba achando que faz parte de tudo aquilo, mas não faz. Quem pensa assim, a carreira acaba. Brinco dizendo que somos apenas serviçais", alerta Lima, rindo. E o serviço nesse caso é fazer com que se apareça da melhor forma possível.
Lima diz que é raro quem não queira estampar as páginas de uma coluna. Isso geralmente acontece quando a pessoa é muito rica. "Aparecer é sinônimo de que se faz sucesso", completa o fotógrafo. Talvez essa seja o atrativo que faz muitos se postarem charmosamente em frente às câmeras. Nem que seja um charme discreto.
"Há muita gente bonita e influente. As mulheres são lindas e não se fala sobre problemas. A crise não os atingiu e tudo é uma festa. Resumindo: são artistas do Paraná mas sem serem artistas. Aqui não há artistas...", descreve Lima (não sem uma ponta de uma melancolia reticente), como se fosse ele mesmo F. Scott Fitzgerald retratando em um de seus romances a alta sociedade americana dos loucos anos 20. (T.A.)





