Quando ‘‘leigos’’ planejam comprar uma bicicleta, a primeira coisa em que pensam é naqueles modelos mais simples e baratos, disponíveis em qualquer mercado. Esses modelos provocam risadas nos ciclistas amadores ‘‘entendidos’’, que chamam qualquer bicicleta que custa menos que alguns milhares de reais de ‘‘bike de R$ 1,99’’.
  Em Curitiba, muitas pessoas que não são profissionais do ciclismo são apaixonadas que fazem questão de ter a melhor bicicleta possível. O professor de Educação Física Marcos Antônio Garibotti gastou aproximadamente R$ 2 mil em sua ‘‘magrela’’, uma Vicini cheia de equipamentos importados. A bicicleta tem materiais de alumínio e peças japonesas da marca Shimano.
  ‘‘Você investe mais numa bicicleta como essa, mas ela dá mais satisfação. Se você comprar num lugar qualquer, vai gastar R$ 200 numa bicicleta, mas ela logo vai dar problema. Gasto muito pouco em manutenção, e essa é a diferença principal de uma boa bicicleta para uma ruim. Só tenho despesas com revisão’’, explica o professor.
  O aposentado Affonso Luiz Rauscher ganhou de presente no ano passado uma bicicleta GTS, com valor estimado em R$ 1,4 mil. Entre outros atrativos, a bike tem selim de silicone e quadro reforçado. ‘‘É o mais forte que tem, por isso a bicicleta é pesada, tem uns 15 quilos’’, estima Rauscher.
  ‘‘Bicicleta de marca boa tem manutenção mínima. Se você comprar equipamento de primeira, você anda 10 mil quilômetros sem precisar de manutenção alguma’’, explica o aposentado.
  José Américo Reis Vieira, dono de uma loja de bicicletas no bairro São Lourenço, estima que as pessoas interessadas em um bom equipamento para cicloturismo vão gastar de R$ 700 para cima. Ele próprio tem uma Vicini avaliada em R$ 3 mil. ‘‘Tem cara que gasta até R$ 20 mil para comprar e equipar uma bicicleta, o valor de um carro’’, diz Vieira.
  Ele aponta que um bom equipamento ajuda a aproveitar melhor os benefícios proporcionados pelo ‘‘vício’’ em bicicleta. ‘‘Normalmente, quem vai ao psicólogo e começa a fazer cicloturismo deixa de gastar com sessões, porque passa a fazer ‘biketerapia’’’, ri Vieira.
  Alguns amadores apaixonados pelo ciclismo encomendam bicicletas personalizadas. O técnico mecânico Heron Mathoso cuidou de todos os detalhes da sua bike. ‘‘Em bicicletas personalizadas, o tamanho do quadro é definido em função da estatura da pessoa. A minha bike tem quadro para estrada, com altura de 21 polegadas. Ele é de alumínio da série 7.005. Além da solda que é feita, é realizado um tratamento térmico para evitar trincas no quadro’’, explica.
  O restante dos equipamentos - rodas, freios, pedais, selim, entre outros - também foi escolhido a dedo. ‘‘Você tem vários níveis de preço e qualidade de equipamentos. O pedal que eu uso, por exemplo, com espaço para encaixe da sapatilha, tem um preço de R$ 150 por jogo. É importante dosar conforme a sua capacidade financeira e a sua necessidade. Dependendo do uso, há mais desgaste da corrente, aí compensa gastar mais e comprar uma que vai durar bastante. Por outro lado, você pode ter um câmbio simples que está adequado, não precisa de algo mais, então não vale a pena comprar um tão caro’’, diz Mathoso.
  Ele estima que a bicicleta dele valha aproximadamente R$ 2 mil. ‘‘Amador vai ter bicicleta de R$ 3 mil, R$ 4 mil. Tem gente que tem bike de até R$ 8 mil. Acima disso, acho que não vale a pena. É mais para profissionais’’, relata o técnico.
  Mathoso precisa de um bom equipamento porque faz uso intenso da bicicleta. Ele sempre participa de passeios, trilhas, viagens e é um dos orientadores da Bike Night, tradicional ponto de encontro de ciclistas amadores em Curitiba. Eles se reúnem nas quintas-feiras à noite na Praça Garibaldi, no Centro da capital, e fazem um roteiro por vias da Área Central da cidade. De acordo com Mathoso, o projeto, que há três anos tem apoio da Prefeitura, começou com aproximadamente 20 ciclistas e hoje reúne em média 150 a cada edição.
  No seu currículo de viagens, Mathoso registrou idas ao interior do Paraná, a Minas Gerais e Santa Catarina, muitas delas sozinho. ‘‘O local mais longe para onde fui de bicicleta é o Chuí (RS), uma viagem de 1,2 mil quilômetros em nove dias’’.

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