Apaixonados pelo que fazem, inventores criam cada vez mais
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sábado, 20 de maio de 2006
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
O desejo de inovar, de explorar novas formas de fazer as coisas, de transformar sonhos em realidade são algumas características das pessoas criativas e que gostam de inventos. Apaixonado por tudo o que faz, o designer Eliseu Sticca é um exemplo disto. Ele adora inventar, e, mais do que isso, ele adora apresentar novidades e ser exclusivo no que faz. Stica não faz pouco, ele molda esculturas, pinta, faz jóias e é maquiador. Satisfeito com seus inventos, ele confessa: ''Tudo o que faço é exclusivo. Ningúem tem duas jóias iguais as de Eliseu Stica'', destaca.
Qualquer pessoa, independente dos fatores genéticos, da idade ou da classe social, pode desenvolver a capacidade de criar. Para a maioria dos psicólogos, a criatividade é uma mudança interna que faz bem para as pessoas que a praticam, principalmente porque as levam à satisfação pessoal.
Segundo a professora de Psicologia da UEL e doutora em Psicologia pela USP, Verônica Bender Haydu, inventar e fazer atividades diversificadas é muito bom. Ela explica que envolver-se em mais de uma atividade ao mesmo tempo, é na verdade, uma das características das pessoas criativas e é o que as distingue de uma pessoa só inteligente.
''A pessoa inteligente é aquela que encontra uma boa solução para os problemas, enquanto que a pessoa criativa é aquela que também encontra soluções boas, mas novas. Além disso, ela também transita de um domínio (área) para outro com facilidade e se aproveita do conhecimento diversificado para produzir soluções originais. Podemos dizer que a pessoa criativa, além de inteligente, é inovadora'', ressalta Verônica.
A criatividade, diferente do que muitas pessoas acreditam, não é uma questão de superioridade genética, mas sim de esforço e dedicação pessoal. A variação comportamental pode ser aprendida por qualquer pessoa com capacidade normal para aprender, o que, segundo a psicóloga, está amplamente documentado em bibliografias científicas. Verônica salienta que a maneira de pensar de uma pessoa criativa é igual de uma pessoa comum, por isso, qualquer um pode vir a ser criativa, ter idéias novas e inventar produtos originais.
''A diferença entre esses dois tipos estaria no grau de originalidade. Uma pessoa criativa apresenta variabilidade comportamental em um grau mais elevado do que a outra. Geralmente, os criativos são pessoas curiosas, perseverantes, independentes, tolerantes, entusiasmadas, espontâneas, além de apresentarem autoconfiança e auto-estima positiva'', diz.
É justamente por essa variabilidade comportamental positiva, que Verônica afirma que a criatividade faz bem pra saúde, pois tudo o que é inventado ou criado faz com que a pessoa se sinta gratificada. ''As pessoas criativas têm estas idéias inovadoras porque criar coisas originais ou ter idéias novas produzem consequências positivas. Uma pessoa que tiver uma história de punição por ter idéias incomuns, provavelmente, deixa de se comportar desta forma'', salienta.
Além de não ter nada a ver com o nível de Q.I. pois, segundo Verônica, a inteligência não é a causa dos comportamentos criativos ser criativo e praticar diversas atividades artísticas ou inovadoras são ações recomendadas e estimuladas por profissionais da saúde, principalmente, para aqueles que sofrem de estresse e depressão.
''Hoje em dia, a vida em sociedade leva as pessoas a fazerem coisas repetitivas e elas acabam estressadas, deprimidas. Cultivar um jardim, inventar algo diferente, criar, faz a pessoa parar por um tempo e refletir. São práticas que contribuem para a melhora de pessoas depressivas ou em situações de estresse'', finaliza.


