A garantia de acesso à saúde a todos os cidadãos é mais um dos direitos básico garantidos pela Constituição Federal que, na prática, não são efetivados. A negligência começa já com aquela família que convive com esgoto correndo a céu aberto na porta de casa e culmina nas filas de pacientes nas entradas de postos de saúde e hospitais. À estas pessoas sobra o sofrimento de estar doente e não ter a garantia do atendimento.
Na última quarta-feira, o webmaster Miguel Alexandre Basiloni foi pela quinta vez à Santa Casa de Jacarezinho (Norte Pioneiro) tentar atendimento para uma doença que contribuiu para piorar o atendimento na cidade. Com dores pelo corpo e outros sintomas da dengue, ele tomava remédios por conta própria por não conseguir fazer um hemograma. ‘‘A gente chega aqui e tem que pedir pelo amor de Deus para ser atendido’’, revoltou-se Basiloni, que registrou boletim de ocorrência na esperança de conseguir o exame.
Situação semelhante era enfrentada pela funcionária pública Adriana Machado, com sintomas de dengue há vários dias e que só pioravam. Ela chegou ao hospital às 8h30. Três horas depois ainda aguardava. ‘‘Acho que está piorando, mas eles não atendem’’, disse, resignada.
Mauro Breguedo, encarregado de construção em Arapongas, também foi buscar em Apucarana atendimento para o filho de 10 anos, atropelado por uma van escolar. Esperava havia mais de três horas no hospital para saber o resultado de uma radiografia. ‘‘O que acho é que o brasileiro deveria fazer como o povo árabe: tem que parar de se acovardar. O sistema trata a gente como animal, ignorante. O povo brasileiro parece que é masoquista, gosta de sofrer. Você em um hospital para ser atendido e as pessoas trata como se estívessemos pedindo esmola.’’
Gestão
Gestão é a palavra que a ex-presidente do Conselho Estadual de Saúde e representante dos usuários, Joelma Carvalho, define como imprescindível. ‘‘Nunca estivemos nessa situação. O caos que se instalou na saúde é resultado de anos de más gestões e gerenciamento dos recursos. O problema vai além da falta de dinheiro’’, ataca.
Até porque, para ela, a administração dos recursos disponíveis daria para oferecer melhores condições aos usuários. ‘‘Se há dinheiro para terceirizar clínicas, por que não se investir em melhores salários e estrutura no atendimento público?’’
A saída que ela enxerga é a integração de todos os setores da saúde. ‘‘Se não se investe na atenção básica, com médicos nos postos de saúde, o resultado é o inchaço dos hospitais. Isso é que resulta no jogo de empurra entre as unidades.’’(Colaboraram Eli Araújo, Marian Trigueiros e Silvana Leão)

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