Douradina – O adolescente Aparecido Soares Jerônimo, de 17 anos, constrói uma história de vitórias e conquistas, que começou há cinco anos no município de Douradina. De família de baixa renda, viveu uma infância sem muitas oportunidades e aos dez anos teve as primeiras experiências com pequenos furtos, arruaças e violência.
Quando atravessava sua fase mais crítica, aos 12 anos, o garoto despertou a atenção da Divisão de Assistência Social de Douradina. ‘‘Percebi que ele garoto precisava de uma oportunidade, amor, orientação e arrisquei tudo para vê-lo recuperado’’, lembra a chefe da divisão, Inês dos Santos Herrero. O trabalho foi intenso, com acompanhamento ‘‘cerrado’’ na escola, em casa e pelas ruas, através da orientação psicológica e social e com a integração de diversos setores da administração pública e da comunidade.
A família também foi acompanhada de perto com a preocupação de haver uma interação família/sociedade, promovendo a recuperação de forma integral. ‘‘Foi importante mostrar para o Aparecido que além de amá-lo, nós estávamos preocupados com a socialização de toda a família dele, que se sentia excluída’’, comenta Inês Herrero.
Os projetos sociais foram importantes. O ‘‘Da Rua para a Escola’’, do governo federal, garantiu a permanência do adolescente na escola. Há um ano, o ‘‘Karatê Piá no Esporte’’ permitiu despertar nele a paixão pelo esporte e pela dança. ‘‘Quando o Aparecido começou no projeto eu senti que ele poderia crescer muito e foi isso que aconteceu’’, argumenta orgulhoso o coordenador do projeto na região de Umuarama, Edmilson Lopes da Silva.
Em Douradina, o projeto funciona como contra-turno escolar, no qual duas vezes por semana crianças e adolescentes se reúnem para a prática do Esporte que incentiva o desenvolvimento da mente e corpo ao mesmo tempo.
Em alguns meses, Aparecido se tornou instrutor e ficou responsável pelo treinamento de um pequeno grupo. ‘‘O avanço foi visível, em pouco tempo ele se destacou a ponto de hoje ser contratado pelo governo e estar assumindo um grupo no município de jussara. Isso para nós é muito gratificante’’, incentiva o coordenador Edmilson.
Para Aparecido tudo o que vem acontecendo é porque ele soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe deu. ‘‘Se todos os adolescentes recebessem a oportunidade que recebi, a história seria outra’’, argumenta Jerônimo, que há cerca de duas semana está em Jussara montando uma equipe do Karatê Piá no Esporte.
Ele não gosta muito de comentar sobre o passado, mas sabe que tem, a partir de agora, uma grande responsabilidade nas mãos. ‘‘Tenho que mostrar para as crianças e adolescentes que a vida pode ser melhor, se a gente optar por caminhos menos perigosos. Eu tive uma experiência ruim e não quero que eles façam o mesmo’’, lembra.

mockup