Aoki Schimizu tem 78 anos de história
Aquele surto de pros-peridade que encantou o Prefeito se deveu a uma particularidade: Colônia Três Barras envolveu exclusivamente imigrantes há mais tempo no Brasil, evitando dificuldades que atrasaram o desenvolvimento de Bastos e Tietê, no Estado de São Paulo, formadas por recém-chegados do Japão.
Com 7.312 alqueires vendidos até 1939, atingira-se 39,4% da área total (18.300); dois anos mais tarde, a Cooperativa Agrícola contesta, no Departamento das Municipalidades, a cobrança inconstitucional do Imposto de Defesa da Produção Vegetal: 50 mil réis por alqueire de algodão plantado e 50 réis por pé de café cultivado.
Três Barras, segundo o historiador Tomoo Honda, representou uma reforma fundamental da Bratac, quando a independência dos imigrantes era o objetivo. E ninguém melhor que os antigos, que já conheciam a vida brasileira, para levar a cabo essa política.
Entre os pioneiros, Yukito Schimizu, sua esposa, Yseio, e cinco filhos vieram da província de Hiroshima para o Brasil em 1925. A adaptação à agricultura os levou à Fazenda Nomura, empreendimento empresarial japonês de 1.200 alqueires em Bandeirantes.
Eu nasci na Fazenda Nomura, diz Yaoki Schimizu, 82 anos, um dos quatro filhos brasileiros de Iseyo e Yukito. Depois de oito anos lá, o pai comprou essa terra e viemos em 1934. Eu tinha quatro anos de idade, estou morando aqui há 78, recorda minuciosamente Yaoki.
Da estação do trem em Jataí, a mudança seguiu num pequeno caminhão da Bratac até o lote de 10 alqueires na Seção Peroba, a mais próxima da futura cidade e a primeira a ser povoada. A família habitou rancho de palmito com a mata ao redor; o tio Massayuki Tsumoto adiantara-se no lote vizinho em 1932 e os bichos por ali eram veados e macacos, por vezes a carne no cardápio dos desbravadores.
Só Yaoki e um irmão estão vivos. Yaoki casou-se com Takami, tem cinco filhos e está viúvo.
A capital do algodão
Nos 80 anos de Assaí, a propriedade dos Schimizu tem 20 alqueires e sua agricultura é de commodities. Onde se começou sob o signo do café e culturas temporárias indispensáveis à subsistência, sendo o arroz a mais inerente aos japoneses, passaram todos os ciclos até hoje, observa Aoki. O café crescia bem, mas o lugar é de geada e mais tarde cedeu lugar ao algodão, cuja viabilidade regional fora comprovada em 1934 por Heiju Akagui em Três Barras.
Na década de 70, o Paraná se tornou o maior produtor nacional (34% de participação) e Assaí, a capital. A Microrregião Homogênea Algodoeira de Assaí compunha-se de sete municípios (2.239 km). Abrangendo 7,2% da área ocupada pela cultura no Estado, a microrregião participa com 17,5% da produção em 1975 e aumenta o espaço (para 13,2%) no limiar de 1980, quando a produtividade entrou em declínio.





