Albari Rosa‘‘A criatividade também está em saber trabalhar com orçamentos baixos’’, diz André Caldeira, diretor de atendimento da MasterA premiação recebida pela Headds, bem como o desempenho que outras agências de Curitiba vem tendo em eventos nacionais e internacionais, serve para reacender uma velha discussão dentro da publicidade: anúncio premiado vende mais o produto? E os anúncios que não vão bem nos festivais? São necessariametne ruins.
Em coro, os publicitários dizem que o ideal seria unir a criatividade digna das premiações aos bons resultados nas vendas. ‘‘Se você faz publicidade com responsabilidade, pode fazer uma comunicação criativa que ao mesmo tempo satisfaça os objetivos finais. Uma coisa não impede a outra’’, diz Fernando Carvalho, um dos diretores da Z., agência que recebeu o prêmio de Top de Marketing da ADVB este ano no Paraná.
Ressaltando que esta discussão é bastante antiga, José Buffo, da Headds, conta que a criatividade é uma necessidade mercadológica. ‘‘Quando traçamos uma estratégia para um cliente, fazemos isso em comum acordo com dados do mercado, a percepção que o consumidor tem da marca, os anseios do cliente e potencial da agência. Juntamos tudo isso numa estratégia que, se for vencedora, merecerá fidelidade. E o que precisamos para que essa estratégia seja bem representada sempre é que tenha peças publicitárias criativas’’, explica Buffo. ‘‘Em alguns casos, não basta ter uma comunicação eficiente: ela precisa ser violentamente criativa e diferente. Peças publicitárias são como passos táticos. Nada é feito sem um objetivo’’.
André Caldeira, diretor de atendimento da Master, lembra casos de peças que não causaram muito sucesso quando exibidas e, depois de premiadas, voltaram ao ar com mais sucesso. ‘‘Foi o caso de um comercial do Guaraná Antarctica produzido pela DM9 há alguns anos. A campanha foi mais veículada depois de receber alguns prêmios’’.
Premiada ou não, a publicidade não vive sem a criatividade. ‘‘Sempre procuramos uma maneira de mostrar uma coisa comum da maneira mais diferente possível, de um jeito que ninguém até hoje mostrou. Isso é criatividade’’, diz José Buffo. Segundo André Caldeira, a criatividade também está em saber trabalhar com os diferentes tipos de verba. ‘‘O publicitário não pode saber vender o peixe apenas com grandes orçamentos’’, sintetiza.
Apesar de afirmar que não falta criatividade no mercado local, Fernando Carvalho, da Z., diz que poderia existir mais ousadia. ‘‘Com algumas excessões, as agências não são muito agressivas. Faz parte do perfil do publicitário daqui. Nós adotamos um linha mais ousada, mesmo sabendo que não cativaremos certos clientes’’.

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