São Paulo - Se você costuma se auto-medicar quando alguma dor te incomoda, fique atento. Um estudo em grande escala, envolvendo cerca de 4,5 mil pacientes de 32 países, detectou a seriedade do problema que envolve os anti-inflamatórios, medicamento facilmente consumido por pacientes que insistem em comprar a droga sem prescrição médica. De acordo com a pesquisa foi possível descobrir que 25% dos usuários crônicos de anti-inflamatórios desenvolvem úlceras e 2% a 4% deles passam a ter complicações graves. Além disso, detectou-se que 100 mil novas admissões hospitalares para tratar de problemas gastro-intestinais ocorrem anualmente no mundo e pelo menos 16 mil pessoas morrem em decorrência dos males causados pela auto-medicação.
A influência da dor na vida das pessoas é tamanha que existe uma data mundial para a conscientização em tratá-la, hoje, 17 de outubro. Mas, o alívio da dor pode vir acompanhado de diversas dúvidas em relação ao tratamento, que geralmente inclui o uso de anti-inflamatórios. Para o gastroenterologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), Décio Chinzon, essa prática já deve ser considerada um problema de saúde pública.
‘‘O estudo revela a importância desses números. O indivíduo precisa tomar qualquer medicamento com orientação médica. É preciso um controle mais rigoroso para a compra de anti-inflamatórios. Por meio do estudo conseguimos ter uma visão mais ampla de como é o funcionamento do anti-inflamatório em todo trato gastrointestinal, que facilmente ocasiona úlceras e outras complicações’’, diz. O estudo, denominado Condor, foi conduzido pelo chefe de gastroenterologia e hepatologia da Universidade Chinesa de Hong Kong, Francis Chan, com apoio da Pfizer, e acompanhou os pacientes por seis meses.
Existem dois tipos de anti-inflamatórios: os convencionais não-seletivos, que bloqueiam a enzima COX-2 (responsável pelo processo de inflamação) e também a COX-1, cuja função é proteger o estômago e o intestino. O outro tipo, são os inibidores específicos da COX-2, que atuam somente nessa enzima.
O professor do departamento de Gastroenterologia da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, Angel Lanas, ressaltou ainda que 45% das pessoas com problemas na parede do instestino tiveram como causa infecções por bactéria, mas principalmente pelo consumo de anti-inflamatórios. Segundo ele, já em 1992 a medicina sabia que 8,4% das pessoas que morriam nos Estados Unidos apresentavam úlceras por tomarem anti-inflamatórios. Em 2005 descobriu-se que pessoas que morriam por homerragias causadas por complicações nos intestinos, também tomavam anti-inflamatórios.
‘‘Um dos maiores desafios dos médicos hoje é identificar essas lesões, porque nem sempre as úlceras apresentam dores. Por isso o ideal é que todo paciente consulte um médico antes de ingerir qualquer tipo de medicamento para não agravar quadros que já podem estar sendo desenvolvidos ou criar um novo com consequências que podem ser perigosas’’, finaliza.
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Pfizer.

mockup