Lembro do famoso ''bip'' desde a primeira redação de jornal impresso em que trabalhei. Era uma peça muito importante para o nosso trabalho jornalístico. Antes da febre dos celulares, que começou no final da década de 1990, o pager era o melhor instrumento de comunicação que tínhamos para nos comunicar com fotógrafos e motoristas para passar as pautas ou enviar algum recado.
Na época, a gente ligava para uma central e pedia para passar a mensagem ao código do ''bip'' do colega. Ficava mais ou menos assim quando mandávamos o recado para um motorista do jornal: ''Pegar a Andréa na redação para entrevista 15 horas na Secretaria de Agricultura''.
Quando o sinal sonoro tocava, recebíamos uma mensagem, na maioria das vezes, com avisos de pautas policiais. Tinha umas muito estranhas do tipo ''achado de cadáver'', ''queda de nível'', ''queda de barreira''. Às vezes, chegavam mensagens que não tinham nada a ver com a redação ou com graves erros de português.
Em um outro jornal impresso no qual atuei, sempre que escutávamos o ''bip'' alguém gritava: ''REBELIÃO!'' Isso porque houve um momento em que as rebeliões nas penitenciárias da Região Metropolitana de Curitiba eram constantes. Depois dessa, o ''bip'' passou a ser uma figura temida. A gente sempre ficava esperando desgraça.
Muita gente andava com o ''bip'' pendurado na cintura, mas, no final da década de 1990, os mais abastados começaram a comprar os primeiros celulares. Na época, a moda era o Motorola Startac, uma aparelho com flip que era cobiçado e motivo de status.
Em 1999, uma operadora de celular lançou uma campanha publicitária grande para lançar um modelo da Ericson. Hoje, ele seria considerado um ''tijolão''. Entrei na era do celular com este aparelho, mais acessível - custava R$ 199,00.
Hoje, é muito difícil encontrar alguém que não tenha celular. Quando ficamos sem o aparelhinho nos sentimos ''ilhados''. Mandamos mensagens, fotos, filmamos, acessamos a internet, ouvimos música, paqueramos. Agora, basta saber como vamos substituir o pager nas redações. Vai deixar saudades... (Andréa Bertoldi)

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