Estelio Feldman
O motivo principal para a deflagração da Revolução de 1930 foi a sucessão presidencial. Até então, prevalecia a famosa política do ‘‘café-com-leite’’ em que São Paulo e Minas Gerais se altenavam no poder, graças a todo o tipo de maquinação.
Era presidente o paulista Washington Luíz que apresentou para sua sucessão o também paulista Júlio Prestes. Os desentendimentos foram inevitáveis. Formaram-se dois blocos e Minas deixava São Paulo, formando com Rio Grande do Sul e Paraíba a Aliança Liberal, lançando como candidato à presidência o então presidente (o nome que se dava na época ao que hoje é governador) do Estado do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas.
Oposições de outros Estados apoiaram a Aliança Liberal. A campanha se desenvolveu entre junho de 1929 e março de 1930, em clima de agitação, tumultos e violência, inclusive com crimes e mortes. Em 1º de março, a eleição e o resultado esperado: venceu Júlio Prestes.
A 3 de outubro de 1930, começou a rebelião, partindo de Porto Alegre. As forças militares estacionadas no Rio Grande, acompanhadas de irregulares, marcharam para o norte, entrando em Santa Catarina e Paraná. Em Curitiba, na madrugada de 5 de outubro, os conspiradores levantaram forças militares, tomaram os postos da administração pública, depuseram o governador Afonso Alves de Camargo, deposto pelo major Plínio Alves Monteiro Tourinho. No interior do Estado, os prefeitos foram depostos e presos. Caia a Velha República. No dia 24 de outubro, menos de um mês depois da deflagração do movimento, o presidente Washington Luíz era deposto, assumindo a presidência do país o sr. Getúlio Vargas, dando início a um período de 15 anos no governo.
No Paraná, o major Plínio Tourinho indica o tenente-coronel Mário Tourinho para assumir o governo provisório, o que acontece na tarde de 5 de outubro de 1930. O novo governante baixa atos reformadores: dissolveu o Congresso Legislativo Estadual e as Câmaras Municipais, em todo o Estado. Foram cassados mandatos dos prefeitos e nomeados outros, de confiança do regime. Comissões de sindicância foram instauradas no Tesouro do Estado, Banco do Estado, Porto de Paranaguá e Departamento de Terras. As três secretarias de Estado existentes foram aglutinadas numa só, a Secretaria Geral de Governo.
A situação econômico-financeira do Estado era gravíssima e o desequilíbrio orçamentário atingia um ‘verdadeiro descalabro financeiro’, conforme relatório do Secretário da Fazenda e Obras Públicas, Rivadavia de Macedo, em 1933. Além da necessidade do saneamento das finanças e da economia, o governo enfrentava outro problema igualmente grave, resultante de favores condedidos a companhias ou a particulares, notadamente no que diz respeito à concessão de terras devolutas do Estado.
O relatório de Mário Tourinho destaca: ‘Os inomináveis abusos, por parte do governo, decorrentes de concessões, a título gratuito ou por preço reduzido, de terras devolutas a empresas de construções de estradas e de colonização, bem como as legitimações de grandes áreas que se foram processando, deram origem a formação de latifúndios prejudiciais aos supremos interesses da nação’. Com base nisto, foram anuladas concessões de terras, entre as quais uma feita à Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande e outra à Companhia Matte Laranjeiras.

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