Curitiba- Esperança no olhar. Felicidade em saber que um grande obstáculo foi superado em 2005. Sobreviventes de tragédias, pessoas que não acreditavam mais em transplantes ou em reencontrar suas famílias. Histórias semelhantes, mas com peculiaridades diferentes. De um lado os que sobreviveram a catástrofes que seriam inevitáveis. De outro, o sofrimento e a dor de pessoas a espera de um transplante, como de medula óssea. Mas todos com um final que tem sabor de vitória.
  O eletrotécnico Wagner Roberto Adolfato Souza, de 26 anos, foi um dos paranaenses que mais sofreu em 2005 e teve sua vida pessoal e profissional modificada. Em agosto, ele foi um dos sobreviventes do acidente de avião ocorrido em Pucallpa, no Peru. Teve queimaduras de primeiro e segundo graus no rosto e no braço em decorrência da explosão e do incêndio da aeronave. No dia do acidente, Wagner não acreditava que pudesse sair vivo e se dizia fruto de um milagre divino. No incidente com a aeronave, 36 pessoas morreram e quatro desapareceram.
  Quatro meses depois da tragédia, Wagner se diz um novo homem. Ele passou a cuidar mais dele mesmo e tem se preocupado mais com a família e com o filho de quatro anos, do primeiro casamento. ‘‘Estou cuidando de mim agora. Menos trabalho, mais prazer. Este foi um ano de mudanças para mim. Estou dando mais valor à vida, à família, ao filho. Todo o lado material fala agora mais baixo do que a importância da vida’’, comenta.
  O corpo e a aparência física também começam a pesar para Wagner, que agora vai diariamente para uma academia. Afastado temporariamente do trabalho, Wagner recebe pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) enquanto estiver em fase de tratamento de saúde. Uma nova perícia médica está marcada para janeiro. ‘‘Nem sei bem o que penso para 2006, mas tudo o que vier agora é lucro. Estou fazendo hora extra na Terra. Quem caminhou entre pedaços de pessoas acha tudo o que tem aqui –do outro lado– perfeito. Meus valores mudaram. Meu projeto é ser feliz. Independente de como for’’.

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