Contrariando a máxima segundo a qual o Brasil só começa a funcionar após a folia do Carnaval, candidatos a um emprego formal partiram para a busca por trabalho logo no início do ano. Na Agência do Trabalhador, a procura começou já na primeira semana e ontem os candidatos formavam fila na Agência Central, em Curitiba.
  Depois de deixar por conta própria o emprego numa montadora em junho do ano passado para investir em um estabelecimento comercial, Otniel Alves, de 30 anos, decidiu adiar os planos de empreendedor e quer voltar a ter carteira assinada em 2008. ‘‘Virou o ano a pessoa tem que renovar’’, afirma Alves. Ele passou os últimos seis meses trabalhando com o pai, dono de uma loja de confecções, e pretendia abrir o próprio comércio mas precisou rever os planos. ‘‘Faltou investimento. Assim você acaba naufragando, não fica no mercado. Vou me preparar mais para voltar para isso aí. Vou fazer cursos no Sebrae’’, projeta.
  Osmario Pereira Lima, de 43 anos, quer voltar ao mercado formal para recuperar a segurança de um salário fixo. Após perder o emprego no setor de pintura automotiva na metade de 2007, Lima honrou as contas da casa com serviços prestados no mercado informal, mas não quer mais depender da renda incerta de trabalhos esporádicos. ‘‘Com emprego fixo você não fica com medo de abrir uma prestação porque já está contando com aquilo’’, justifica.
  Para Dagmar Pereira Neves, de 21 anos, o clima de virada de ano serviu como estímulo para buscar a independência financeira. ‘‘Agora tomei essa decisão: quero trabalhar. Sou casada e agora quero ter minha independência, ter meu dinheiro, ajudar em casa’’, explica. ‘‘No começo do ano dá mais ânimo. Tem mais vagas, estão procurando mais pessoas para trabalhar’’, avalia Dagmar.
  Segundo a gerente da Agência Central do Trabalhador, em Curitiba, Elaine Ribeiro de Souza Anderle, a oferta de vagas em janeiro costuma ser a mesma dos demais meses do ano, a procura é que sofre uma diminuição, o que pode ser vantajoso para quem está concorrendo a um posto de trabalho. ‘‘A concorrência é menor porque muitos ainda estão na praia em trabalhos temporários. Com menos gente, as empresas acabam flexibilizando as exigências pela necessidade de preencher o quadro de funcionários’’,
revela a gerente.
  De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese/PR), Sandro Silva, o ano de 2008 deve manter a geração de empregos de 2007, embora em ritmo menos acelerado, porque a tendência é de manutenção do crescimento.
  O balanço da geração de empregos no Paraná em 2007 ainda está sendo fechado mas a expectativa é de que o desempenho do ano que passou alcance um saldo próximo ao de 2004, quando foram gerados 122.648 empregos, o melhor desempenho registrado no Estado desde 1992. Em 2006, foram gerados 86.396 empregos. Até novembro de 2007 o saldo chegou a 153.579 vagas preenchidas. Segundo Silva, esse número deve cair no fechamento do ano porque tradicionalmente o saldo
de demissões do mês de dezembro é superior ao de contratações.

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