Curitiba - São só 11 horas do dia 28 de dezembro, a praia nem está superlotada, mas o sargento Jessiel Polinski, de 34 anos, que trabalha como guarda-vidas nesta temporada de verão no Litoral, já entrou várias vezes no mar, em frente ao Posto Sesc, perto da praia Braba, em Matinhos, para verificar as condições da praia e orientar banhistas que estavam expostos a algum tipo de perigo no mar.
Assim como ele, 500 bombeiros militares estão no Litoral nesta época do ano, trabalhando em 105 postos de guarda-vidas ao longo da orla marítima, das 8h às 20 horas, com a missão básica de proteger as pessoas em ambientes perigosos como o mar e rios. Outros 500 atuam na região para proteção e prevenção contra outros perigos.
Segundo o relações públicas dos Bombeiros, capitão Leonardo Mendes dos Santos, todos os anos o Corpo de Bombeiros recruta entre seu efetivo de todo estado, agentes para trabalhar como guarda-vida. Em geral, os oficiais são voluntários, mas não basta querer, é preciso ter perfil para o trabalho, o que significa principalmente preparo físico.
Além do curso de nove meses a que todos os bombeiros são submetidos, os selecionados passam por um curso específico, com duração de quatro meses, que aborda temas como noções de salvamentos, busca aquática com embarcação, condições de marés, estado do mar, formação de buracos, correntes marítimas, além de fornecer treinamento físico. A idade dos participantes varia entre 18 a 50 anos.
O sargento José Marques, de 50 anos, companheiro de Jessiel no Posto Sesc, é de Londrina e há 25 anos atua no Litoral na época de verão. Ele explica que na praia o trabalho é essencialmente preventivo. Cabe ao salva-vidas conhecer o local, identificar os pontos de perigo e ficar de olho nos veranistas. Quando veem que alguém está sendo levado pela corrente de água sem perceber ou está perto de algum buraco, por exemplo, é hora de agir. As abordagens vão desde apitos para chamar o banhista, conversas de orientação a advertências.
Desde o início da Operação verão 2010/2011, em 11 de dezembro, até o início da tarde da última quinta-feira, os guarda-vidas prestaram 69.758 orientações e advertências a banhistas. Além do trabalho de prevenção, foram feitos 716 salvamentos neste período, uma média de 21 casos por dia. São situações em que pessoas foram retiradas rapidamente da água pelos guarda-vidas, que evitaram, assim, consequências mais graves. Um total de nove pessoas morreram afogadas. Destas, sete foram resgatadas mortas e outras duas morreram por complicações posteriores em hospital.
Na manhã do dia 28, o próprio sargento Polinski já tinha conseguido salvar uma menina de nove anos que tinha caído em um buraco. ''Ela ficou sem chão. Eu estava longe, mas já antecipei o perigo ao ver que ela estava indo em direção ao buraco. Acabei chegando antes dos pais, que muitas vezes nem veem o que aconteceu'', conta. Segundo Marques, os buracos são um problema em nosso Litoral. ''As pessoas podem cair e se não souberam nadar não conseguem voltar'', diz.
Há várias temporadas, o salva-vidas também vêm tendo importante papel na segurança das crianças. Em todo Litoral, eles distribuem pulseiras para identificação das crianças, onde constam nome e telefone dos pais ou responsáveis. Até a última quinta-feira, eles tinham encontrado 160 crianças perdidas na praia.

mockup