Animação é ponto forte de curta
O terceiro curta exibido hoje é "Parasara", do estreante Igor Moura, 28. A curiosidade maior é o uso da técnica de rotoscopia, pouco usual no Brasil, e notorizada pelo filme "Waking Life". "Dá muito trabalho. Primeiro filmamos, com atores, e depois desenhamos em cada um dos fotogramas", explica o diretor, pós-graduado em cinema pela Tuiuti.
Igor trabalha no desenvolvimento do roteiro e storyboard há três anos. "E, sem esse incentivo, iria demorar muito", conta. A narrativa trata da jornada de uma adolescente em busca de superação após a morte dos pais. O diretor diz que só agora, com o filme concluído, vai ter tempo de mandar para festivais.
Entre as influências na narrativa, ainda tem os diretores David Lynch e Maya Deren; e, no perfil da personagem, a protagonista de "Garota interrompida". Ainda que o jovem tenha trabalhado em outros projetos, considera "Parasara" a sua estreia. "É onde mostro o meu estilo e o quero fazer", diz. Para 2010, planeja rodar um curta de ficção que não terá a animação como ponto de partida. Ainda que, ele admite, ela possa aparecer em alguns momentos.
Demais
Na sessão de sexta-feira ainda serão exibidos os curtas "Curitiba em 4 estações", de Bernardo Rocha, 26, cuja captação levou pouco mais de um ano, e "Osório", de Heloisa Passos e Tina Hardy, ambos do edital anterior, de 2006. "Fomos selecionados para Gramado e decidimos esperar pelo transfer (transposição de um suporte para outro) em 35mm para estrear", conta Heloisa, 42. "Osório" começou sua trajetória de exibição no festival Gaúcho, em agosto, e já passou por outros cinco festivais, tendo sua estreia em Curitiba no do Paraná, em outubro do ano passado.
O de 2006 foi o último dos editais do fundo (o primeiro foi o de 2005) a promover a produção de curtas para diretores não-iniciantes. Realizado com R$ 50 mil, "Osório" trata do olhar de uma atriz a partir de um apartamento na Praça Osório. O limite entre a ficção e o documentário leva as diretoras a usar a alcunha de experimental quando é necessário apontar um gênero -uma escolha que, elas entendem, cabe ao espectador.
A partir do edital de 2007, os profissionais experientes puderam inscrever seus projetos em longa-metragem. É o caso do já citado "Morgue Story", de Paulo Biscaia, e de "As muitas vidas de Valêncio Xavier", de Beto Carminatti, ainda não finalizado. Do edital de 2007, ainda faltará estrear o curta "Naftalina, doces e traças", de Rodriane DL, que, por um problema na pós-produção, não ficou pronto a tempo e deverá ter sessão na Cinemateca em junho. "Mas ficou lindo, é um filho querido", anuncia a assistente de direção e editora, Nathália Tereza, 20.
Enquanto os filmes do edital de 2008 estão em produção, estão abertas as inscrições para o Edital Filme Digital deste ano até o dia 13 de junho, no site www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br. (R.U.)





