A raça Angus, de origem escocesa, está em plena expansão no Paraná. As vendas do seu material reprodutivo correspondem a 42% do market share de inseminações do Estado: a maior entre todas as raças de taurinos e zebuínos, superando inclusive a nelore. No País, a comercialização de doses de sêmen da raça cresceu 200% nos últimos cinco anos, sendo que em 2011 fechou com 2,38 milhões de doses vendidas. Ontem pela manhã, a Associação Brasileira de Angus promoveu um seminário técnico sobre a produção dos animais e qualidade da carne na ExpoLondrina, reunindo por volta de 300 pessoas entre estudantes de ciências agrárias e pecuaristas, no Parque de Exposições Ney Braga.

O coordenador do programa de certificação da entidade, Fábio Medeiros, salientou que a raça possui um pacote de características que está fazendo a diferença no momento do consumidor final optar pela carne deste animal. "O que o brasileiro procura é uma carne mais macia, e para que isso ocorra de forma eficiente, várias características devem estar associadas, como por exemplo a precocidade do animal, grau de acabamento (gordura de cobertura) e o marmoreio (gordura intramuscular)", explicou .

Um dos principais objetivos da Associação Brasileira de Angus é trabalhar para que toda a cadeia tenha lucratividade de forma conjunta, desde o produtor, passando pelo varejo até o consumidor, para que receba uma carne de qualidade. Desde 2007 a entidade implantou um programa de certificação, que por meio de um selo de qualidade consegue valorizar ainda mais o seu produto. As 14 unidades certificadas (frigoríficos) ficam nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. "No Rio grande do Sul as premiações para os parceiros chegam a ser 10% superiores aos preços de mercado, inclusive remunerando fêmeas e machos na mesma base de valor", relatou Medeiros.

Para obter o selo de qualidade os animais devem possuir 50% da genética Angus, serem abatidos até os 24 meses, bem terminados e com boa formação de carcaça. No Paraná, boa parte dos criadores da raça pura estão no Centro-Oeste, principalmente na região de Cascavel. Já a criação de bovinos com cruzamento Angus, os pecuaristas estão espalhados por todo o Estado. "Uma das principais características do cruzamento com Angus é a velocidade em ganho de peso e precocidade", relatou Antônio Francisco Chaves Neto, técnico da Associação Brasileira de Angus no Estado do Paraná.

Neto relembra que há 15 anos o bezerro cruzado tinha alta incidência de rejeição nos frigoríficos. Foi daí que tais produtores se aventuraram em alianças mercadológicas, que posteriormente se tornaram cooperativas, com o intuito de levar diretamente – sem intermediários – carne de qualidade até o consumidor final. "Não existia este 'plus' no preço da carne que os criadores de Angus possuem hoje. Estamos passando por uma evolução sólida, que promete um crescimento ainda maior nos próximos anos aqui no Paraná".

Na ExpoLondrina, há cerca de 142 animais da raça Angus expostos. Amanhã, acontece o Leilão Conexão Angus, que promete comercializar cerca de 400 bezerros certificados e 800 animais de cruzamento, além de 23 touros da raça.

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