Em um ponto a 200 metros da superfície, na mesma altura do terraço de um edifício de cerca de 60 andares, um avião não tripulado de oito hélices, também chamado de drone, está documentando o crescimento de Londrina para a posteridade. A experiência pioneira oferece à cidade ângulos nunca antes explorados, nem mesmo por aviões ou helicópteros, impedidos por questões de segurança de fazer sobrevoos mais baixos. A iniciativa é do empresário e fotógrafo Wilson Vieira, de 47 anos, nascido em Jundiaí do Sul (Norte Pioneiro), mas radicado em Londrina desde 1985.
Ele fez uma sociedade com o colega Alessandro Akio Hirooka, dono do veículo aéreo, para colocar seu projeto em prática. Aproveitou bem os primeiros voos feitos este ano e conquistou muitos fãs no facebook, com ângulos que revelam uma beleza diferente da cidade. "Foram milhares de compartilhamentos", comemora. Gostou da experiência com a convicção de quem agora planeja comprar o próprio avião não tripulado para continuar o projeto de registrar a metamorfose de Londrina ao longo dos anos. "No centenário (da cidade) pretendo fazer uma exposição e depois doar todo o material para o Museu Histórico", revela.
Em uma dezena de sessões feitas pela dupla, Hirooka guiou o pequeno avião, enquanto Vieira operou a câmera por controle remoto. Ele acoplou uma câmera profissional (uma Canon Mark III) cujo peso é de cerca de 1,7 quilo. Em solo, ele utiliza um equipamento que permite visualizar as imagens captadas em tempo real, em uma tela de 15 polegadas. "Já registrei os quatro cantos da cidade". Das lentes, surgiu uma Londrina que não para de crescer. No banco de imagens aéreas, as obras de duplicação da PR-445, o vigor vertical que vai se adensando na Gleba Palhano, os novos empreendimentos da zona leste. "Vivemos numa cidade apaixonante, que espera que a gente a descubra o tempo todo. Adoro mostrar isso", resume.
Por 18 anos, Vieira ganhou a vida como muitos outros fotógrafos, registrando eventos sociais, normalmente casamentos. Logo percebeu que queria algo mais da sua profissão, embora estivesse com a carreira estável. Passou a fotografar a cidade nas horas vagas. "Achava que a cidade merecia ser melhor mostrada".
Acompanhando sites e blogues estrangeiros que usavam drones para produzir imagens aéreas, decidiu que queria fazer o mesmo. "Mas não tinha dinheiro para comprar um drone". Um modelo similar usado por Vieira custa cerca de R$ 70 mil.
Quando assistiu uma reportagem que mostrava o veículo de Hirooka, teve o insight de unir os dois projetos. Passou a alugar o equipamento e oferecer parte do que arrecada com a venda de algumas fotos para o sócio.
Para continuar fotografando do alto, Vieira tem poucos obstáculos. "Para fazer uma sessão, não pode estar ventando muito, tampouco o céu pode estar com muita nebulosidade", afirma. Outras limitações dizem respeito ao próprio drone, que tem autonomia de voo de apenas quatro minutos – é movido a baterias – e tem um alcance de cerca de 500 metros de distância do ponto de controle.

Imagem ilustrativa da imagem Ângulos inéditos de uma quase oitentona
| Foto: César Augusto
Wilson Vieira e Alessandro Hirooka, dono do avião não tripulado de oito hélices: registros que revelam uma beleza diferente da cidade
Imagem ilustrativa da imagem Ângulos inéditos de uma quase oitentona
| Foto: Wilson Vieira /Divulgação
Vista da Gleba Palhano, região que mais se transformou ao longo dos últimos anos em Londrina
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