Anel do Emprego é marca do planejamento atualizado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Widson Schwartz<br>Especial para a FOLHA 
Contrariando a suposição largamente difundida - cidade sem planejamento -, em seus 73 anos, desde a fundação, Londrina vem sendo planejada há 50, pelo menos, e hoje se adequaria imediatamente à eventualidade de um repentino surto de desenvolvimento. Nessa realidade, oculta ante o dito popular de que prevalece o desordenamento, aparentes novidades fazem parte do planejamento de longo prazo, mas somente agora, oportunamente, ganham divulgação.
Assim, o Anel do Emprego, provavelmente o próximo grande suporte do tráfego, vem sendo construído há muitos anos, observa o arquiteto João Baptista Bortolotti, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
A Avenida Juscelino Kubitschek, construída nas décadas de 60 e 70, fora prevista em 1951, no plano de Prestes de Maia, e a Via Expressa (Dez de Dezembro), no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano concluído em abril de 1968, em se mencionando dois exemplos.
Já o Anel do Emprego originou-se no Plano Estratégico de Expansão e Adequação Viária (PEEAV), de 2002, que considerou o planejamento em décadas anteriores, inclusive o Plano do Sistema de Transporte Urbano de 1974.
Modelo
Com o advento de Brasília e a seguir a transformação de Curitiba, mas até mesmo por causa de Maringá, disseminou-se a crença, ou a impressão, da Londrina sem planejamento. Do ponto de vista de João Baptista Bortolotti, cada uma daquelas cidades reflete um modelo, no caso de Brasília imutável e até segregacionista, empurrando os pobres para as cidades satélites. Caráter que, segundo pesquisadores, transpareceu no zoneamento de Londrina na década de 50.
Mas não prevaleceu e Bortolotti lembra que já faz tempo que o município constrói casas para os que chegam; além disso, existem três centros: o histórico, um ao sul da cidade (Gleba Palhano e adjacências), criado pela classe mais abastada, e aquele ao norte, consolidado na região dos conjuntos habitacionais, cuja referência é a Avenida Saul Elkind.
Pela experiência de Bortolotti, o importante na construção da cidade é não se perder a estrutura macro, diretriz preservada em Londrina e que agora permite uma flexibilização que se fará notável no Anel do Emprego, ao abranger as atividades produtivas.
Pensando o futuro
Com cinco anos de idade, Bortolotti chegou a Londrina, e aos 34, já arquiteto, começou a participar do planejamento da cidade, que conhece palmo a palmo, o que se pode afirmar depois de acompanhá-lo numa excursão ao Anel do Emprego, a futura avenida estrutural de 42 km, com a largura de 40 metros abrangendo canteiro central, seis vias de rolamento e estacionamentos.
Quando se concretizará? Bortolotti não sabe precisamente, talvez nas próximas décadas; depende das demandas, que são as exigências advindas do maior ou menor desenvolvimento sócio-econômico. Entretanto, partes do Anel já existem. Por exemplo, a Avenida Waldemar Spranger, na região sul, que necessitará de um viaduto para transpor o fundo de vale e se interligar a outras vias. Uma destas cruza a Expressa e contorna o Parque Arthur Thomas pela esquerda, entrando na região leste, até a confluência da Avenida Salgado Filho e Estrada do Limoeiro adiante da cabeceira do aeroporto. Sucedendo-se as ligações a leste, passa pelo Centro Tecnológico, entra na zona norte e paralelamente à Saul Elkind ruma para oeste, até o Pool de Combustíveis.
O Anel se faz com participação da iniciativa privada que, ao lotear áreas ao longo do traçado, constrói a sua parte da via de 40 metros de largura, obedecendo ao Plano Diretor. Segundo Bortolotti, vez ou outra alguém protesta: Tudo isso dentro do meu loteamento?
Nos loteamentos mais recentes, ainda com raras habitações, aqueles pedaços de avenidas duplas aparentemente abandonados poderão parecer um desperdício a quem não saiba do Anel do Emprego. E há quem associe o projeto de um viaduto sobre a Avenida Tiradentes exclusivamente à PUC, mas tem a ver com o cruzamento da BR-369 no Moinho de Trigo e faz parte do Anel, que, do Pool de Combustíveis, começa a retornar à zona sul.
Segundo Bortolotti, a concepção é para assegurar o fluxo regular do tráfego urbano dentro de uma perspectiva, sendo indispensável o número de faixas de rolamento. Para preservá-las em trechos que não permitam a largura de 40 metros da via, a alternativa será o estreitamento do canteiro central. Ao longo do Anel, apenas alguns trechos do canteiro central ficarão sob as linhas de transmissão de energia elétrica, o chamado linhão.


