Andando na Chuva
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de abril de 2007
Marcos Martins<br> Equipe da Folha 
Quando mudei de casa, para morar perto do trabalho, a primeira coisa que meu irmão me perguntou foi se eu tinha comprado um guarda-chuva, já que a idéia era deixar o carro na garagem e andar a pé. Nesses últimos dias quentes e ensolarados da capital, nem senti falta do objeto. Mas na última terça-feira, eis que o céu desaba na cidade. E, claro, eu precisava ir para rua.
Andar sem guarda-chuva não é problema, se pelo caminho as calçadas têm muitas marquises. É o que ocorre aqui no Centro, perto da Folha. Mas aí que vem a dúvida intrigante: por que as pessoas que andam com guarda-chuva ou sombrinha também querem andar debaixo das marquises ou pontos de ônibus? Nessa terça, nos poucos metros que percorri, além de desviar da chuva precisei driblar esses indivíduos. E você acha que eles vão para fora da marquise quando te encontram? Negativo. No caso, o útil objeto, além de proteger da chuva, serve também para esconder a cara e fingir que não te viu.
E lá fui eu, andando e desviando da chuva e da falta de educação alheia. Resultado: cheguei molhado ao destino. Aí, na volta, encontrei outra categoria de ''destaque'': os motoristas com pressa de chegar ao sinaleiro. O fenômeno ocorre quando você quer atravessar a rua e um carro está um pouco longe. Ou seja, dá tempo de você atravessar. Ok, é fora da faixa. Mas o motorista está vendo que você está tomando chuva, que o sinaleiro à frente está fechado, que ele não vai conseguir ir longe. Mas parece que ele sente prazer em acelerar o carro e fazer com que você fique lá, esperando e se molhando ainda mais. Gentileza zero. Mas tudo bem. Quem está na chuva é pra se molhar. E enfrentar a legião de mal-educados que surgem pelo caminho.


