Duas campanhas de perfis, trajetórias e propostas – a um eleitorado que não foge à regra – bem distintas, agora em busca de forças políticas que terão de se realinhar neste segundo turno. Essa é a análise comum de dois analistas políticos ouvidos pela FOLHA diante do panorama desenhado, a partir do resultado das urnas, com a disputa entre Antonio Belinati (PP) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) à Prefeitura de Londrina. Tanto o sociólogo Marco Rossi quanto o centista político Mário Sérgio Lepre, ao mesmo tempo, foram enfáticos quanto à incógnita formada desde o dia 5 de setembro com a impugnação de Belinati pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE): pela lisura do processo de democrático, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o recurso especial de Belinati precisa sair antes da votação de 26 de outubro, e, de preferência, mantendo o ex-prefeito no páreo.
  Na avaliação de Rossi, de certa forma a campanha de segundo turno em Londrina fica em suspenso até que saia o resultado em Brasília, o que era aguardado nos bastidores para até a última sexta-feira, em sessão extraordinária – o prazo oficial do TSE para esses julgamentos se encerrara em 25 de setembro.
  ‘‘Não acredito que o TSE vá impugná-lo – como vai explicar para quase 100 mil eleitores do Belinati que o voto deles foi para o lixo? Se colocarem para a pessoa escolher entre um terceiro candidato que não foi o mais votado, isso só vai gerar uma descrença e uma apatia ainda maiores no cidadão’’, considerou o sociólogo. ‘‘Para a democracia seria um desserviço tirar só agora o Belinati; a impugnação poderia ter saído antes da eleição ou, no mínimo, antes do primeiro turno. Agora já que já foi a votação, o voto tem que ser respeitado – se a Justiça Eleitoral, por meio do TSE, não respeitou o prazo dela, que respeite a vontade soberana do eleitor’’, concluiu.
  Lepre tem opinião semelhante. Para ele, a instabilidade, ‘‘que já existe nessa campanha’’, seria ‘‘muito maior’’ com o primeiro lugar alijado da segunda fase da disputa. ‘‘Com impugnação, abre-se aí uma possibilidade de recursos que vai continuar desestabilizando cada vez mais o processo em Londrina. O Belinati recorre, mas e aí: a Justiça vai convocar o Barbosa (Neto) para a disputa? Ele não vai estar em campanha de segundo turno’’, considerou o estudioso, conforme o qual quem tem de dar a resposta final, agora, é o eleitor.
  Indagado sobre a virada do tucano sobre o pedetista, segundo colocado nas duas últimas pesquisas eleitorais realizadas pelo instituto Ibope, Lepre avaliou que a nova polarização desenhada, mas agora entre dois candidatos ‘‘bastante distintos’’, daqui em diante, se deu por dois fatores. ‘‘O Hauly tinha uma dificuldade muito grande em segmentos de baixa escolaridade e baixa renda, deve ter ganho apoio com a entrada de personagens afins com esse público, na campanha, e trabalhou muito mais talvez até por conta dos resultados’’, disse, para complementar: ‘‘Já com o Barbosa era possível visualizar todos os segmentos, com a captação de todas as faixas etárias e de renda. Entretanto, faltou o candidato dar resposta às acusações que lhe eram feitas – não basta falar que o adversário ‘bate e esconde a mão’: para o eleitor, é obrigatório ele se defender sem se vitimizar. Aquela questão do ex-assessor (Luciano Lopes) preso quando saía da casa do (deputado) Alex (Canziani), por exemplo, não foi bem digerida e bem explicada – e o eleitor está muito atento’’, considerou.

mockup