Curitiba - A dona de casa Ana Paula dos Santos Silva, de 31 anos, espera um ano de 2006 com muitas vitórias. Em 2005, ela conseguiu a realização de um sonho: o transplante de medula óssea do filho Guilherme, de 7 anos. ‘‘Ele está bem agora, depois de tantas batalhas. Ele está vivo por milagre’’, diz a mãe. A luta de Guilherme começou no dia 2 de janeiro de 1998, quando ele teve alta do hospital onde nasceu. Dezessete dias depois, começou a apresentar bronquite asmática. Com o passar dos dias, ele começou a ficar pálido. Na época, eles moravam em Belo Horizonte. ‘‘Com dois meses, ele já gemia muito. Tinha febres rotineiras. A gente sabia que tinha algo a mais errado com ele’’, relembra.
  Ana Paula levou Guilherme para fazer uma série de exames e descobriu que ele estava com uma espécie rara de anemia (anemia black fandime –seis casos conhecidos no Brasil). Ele recebeu então a primeira transfusão de sangue e ficou internado. ‘‘Ele ainda mamava no seio. Teve que fazer dois anos de exames direto, sem que houvesse como curá-lo. A cada 15 dias, ele tinha que receber sangue de transfusão’’. Por não existir tratamento na região, o menino foi encaminhado ao Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba na esperança de se fazer um transplante de medula óssea. A dificuldade foi achar pessoas compatíveis.
  Nem o pai, nem a mãe eram compatíveis. Ana Paula teve a idéia de engravidar novamente para tentar salvar o filho, com o uso do cordão umbilical. Vitória nasceu. Mas ela também não foi compatível com o irmão. ‘‘Depois de estar na fila mundial por três anos, apareceu alguém com pequena compatibilidade com Guilherme. Ele já estava com zero de defesa. Resolvi arriscar e acolher a idéia do transplante’’, relata. Guilherme reagiu mal ao transplante, ficando dez dias sem se alimentar. ‘‘O doador era americano. Cheguei a dizer que ele havia lançado uma bomba atômica sobre meu filho’’.
  Guilherme teve muita diarréia. Chegou a ter grau quatro de rejeição ao doador (limite máximo). O rim parou de funcionar e o corpo começou a reter líquido no pulmão. ‘‘Ele só mexia a cabeça’’. O transplante foi feito em junho. Apenas no mês passado, Guilherme começou a reagir positivamente. ‘‘Isso tudo me mostrou que as pessoas têm que ter fé e não desistir nunca. Vou até escrever um livro contando meu caso, para ajudar quem precisa de força’’, diz. Em casa, Guilherme está tendo que reaprender a andar. Mas já está bem melhor. ‘‘Ele conseguiu dar alguns passos da sala até o quarto estes dias’’.
  A luta médica fez com que os recursos financeiros acabassem. Ana Paula e o marido (que é caldeiro) estão
desempregados.

SERVIÇO
Quem quiser colaborar com a recuperação de Guilherme pode depositar qualquer doação no Banco Bradesco, agência 0466-9, conta poupança 0120983-3.(L.P.)

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