Ele é católico e cinco anos mais jovem que ela. Diferentemente dele, ela não gosta de músicas sertanejas e não acredita em Deus. Mesmo assim, Débora Salomon Silva Bergonsi, 51 anos, e Júlio César Bergonsi, 46, se casaram na Igreja católica e vivem há 32 anos juntos. Destes, 24 anos casados e felizes.
O segredo da felicidade? Para eles é, principalmente, as demonstrações de carinho e de afeto que ambos praticam o tempo todo entre eles e também com os filhos. ''Fazer carinho é muito bom. Sempre nos abraçamos, nos beijamos na hora que chegamos ou na hora que saímos. A todo momento somos assim. Eu acho que isso é muito importante e assim educamos nossos filhos'', diz ela.
Débora é psicóloga e atéia, mas sempre respeitou a religião do marido, inclusive, concordou pacificamente em se casar na igreja em respeito a ele e à toda sua família.
''No início, quando a gente começou a namorar houve um pouco de receio por parte de familiares por causa disso e pela diferença de idade. No fundo, eu sei que ela acredita em Deus um pouquinho porque ela é generosa e acredita na bondade das pessoas, que foram feitas por Deus'', comenta em tom de brincadeira o representante comercial.
Débora e Júlio vivem com um casal de filhos, Felipe, 23, e Juliana, 22. Diálogo e compreensão também marcam a vida do casal que busca sempre resolver os problemas e dificuldades familiares juntos. Segundo Débora, a educação dos filhos sempre foi discutida a dois. ''Quando um diz uma coisa, o outro tem que estar de acordo'', explica.
Júlio diz que a vida dos dois é muito tranquila e repleta da confiança. Ele lembra que no dia do seu casamento, um amigo da família havia dado um conselho que ele considera importante até hoje. ''Ele disse pra mim que independentemente do motivo pelos quais a gente fosse brigar um dia, era pra gente nunca deixar de ir pra cama dormir sem resolver a discussão. Hoje somos muito assim, nunca deixamos alguma coisa pendente para depois'', diz Júlio.
Na opinião de Débora, a infelicidade da maioria dos casais hoje, se deve principalmente à falta de respeito e paciência. Para ela, um bom relacionamento exige muito tempo junto e uma grande afinidade que permite a compreensão do outro.
No dia-a-dia, eles estão sempre brincando com as diferenças. Enquanto Júlio prefere escutar música sertaneja e reunir-se com os amigos aos domingos, Débora é caseira e prefere ligar o aparelho de som para escutar MPB.
''Ontem mesmo eu falei pra ela que ia colocar um CD para escutar. Assim que acabou a música, ela foi lá e trocou por um CD que ela gosta. Depois a gente colocou um outro CD que eu gravei um dia, que tem músicas diversas, das que eu gosto e que ela gosta também. Sempre estamos respeitando e aceitando o gosto um do outro'', comenta Júlio.(F.B.)

mockup