Amo muito essa terra, nunca vou sair daqui
Hoje a ''Estrada dos Pioneiros'' já não guarda qualquer semelhança com a picada aberta pelos desbravadores na floresta. A via - de terra batida - é cercada por grandes plantações de soja. Em apenas um ponto, há resquícios de mata nativa - perceptíveis pelas imensas perobas, figueiras e paus d'alho. Outro contraste encontra-se no horizonte: onde antes só havia verde, hoje desponta o desenho da cidade, rica em arranha-céus e outras construções.
A FOLHA encontrou no final da semana passada a última moradora da estrada que ainda está ''ativa'' no local. E que atividade! Mercedes Radão, 67 anos, nasceu na mesma propriedade em que ainda reside e esbanja simpatia, vitalidade e lucidez. Recebeu a reportagem à moda antiga: em frente de casa, sentada num banco simples de madeira, e com expressões típicas de outros tempos. ''Aara'', diz para o cão de companhia que lhe rodeia todo o tempo.
''Eu fui criada aqui na lavoura, depois mudei para a cidade e voltei para o rancho quando meu marido morreu. No começo, era uma estrada mesmo, com linha de ônibus e a estrada de ferro lá embaixo. Tinha um 'trenzão' grande para São Paulo, mas para Maringá eram dois vagões de passageiros e o resto todo de carga'', relembra-se. ''Naquela época tinham várias colônias e fazendas aqui, tudo de café, mas o movimento caiu muito quando tiraram os ônibus''. De fato, atualmente a estrada serve de acesso apenas para propriedades rurais - que abandonaram o café depois da geada de 1975.
Mercedes Radão, ao falar de Londrina - ''amo muito essa terra, nunca vou sair daqui'' -, relembra-se também do pai, João Radão. ''Ele foi o primeiro a comprar terra aqui na estrada, veio para Londrina mexer com areia. Ele que levou os tijolos para construir o antigo Cadeião e outras obras'', diz com orgulho. ''Me lembro bem de quando casei: a cerimônia foi na catedral velha, que era bem mixuruca perto da nova, e o civil no antigo Fórum - onde hoje é a Biblioteca Municipal''.
Pavimentação
A novidade na região da estrada dos Pioneiros é a construção do campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFP) e o asfaltamento de um trecho, após 78 anos de sua abertura. ''O compromisso do prefeito é pavimentar pelo menos até a univerisdade (que fica 300 metros além da casa de dona Mercedes)'', explicou o secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas.
A ''novidade'', porém, deixa a pioneira em dúvida. ''Acho que o asfalto é bom, mas deve aumentar nosso imposto, né'', comenta, referindo-se ao IPTU.(F.C.)





