Interessados em fazer mais do que apenas reclamar quando as coisas não funcionam ou demoram a acontecer, cidadãos atuantes mostram que com organização muita coisa pode melhorar. Reunidos em entidades sem fins lucrativos chamadas de associações ou sociedades de amigos, pessoas comuns promovem ações simples que colaboram para o bem de todos.
Mais antiga entidade do gênero em Curitiba, a Sociedade Amigos de Alfredo Andersen conta com figuras ilustres entre seus fundadores. Emiliano Perneta, Nilo Cairo e Emílio de Menezes são alguns dos que articularam a fundação da Sociedade quando da morte do artista em 1935. ''No dia do enterro resolveram fundar essa sociedade. Eram pessoas influentes na época e foi um movimento muito forte'', conta o bisneto de Alfredo Andersen, Wilson José Andersen Ballão, presidente da entidade desde 1990. A fundação data de 1940 e por volta da década de 50 as atividades foram interrompidas por falta de apoio e de pessoas interessadas em tocar o projeto. A retomada se deu na passagem para os anos 90.
Hoje é a Sociedade Amigos de Alfredo Andersen a responsável pelas oficinas de arte realizadas no prédio anexo ao museu que leva o nome do artista. O anexo conta com ateliês e um auditório. O prédio foi construído também por iniciativa da Sociedade, que ainda colabora com as atividades promovidas pelo Museu Alfredo Andersen. ''Criamos um fundo para as despesas do Museu como uma forma de viabilizar o funcionamento, já que o Estado não repassa todo o recurso necessário'', explica Andersen Ballão. Isto é, as despesas fixas são custeadas pelo Estado e a Sociedade ajuda com o que é mais imediato.
Para Ballão, o trabalho realizado por entidades como as sociedades e associações de amigos é imprescindível. ''É triste constatar uma coisa dessas, mas é suprir uma deficiência do Estado. Sem isso você não consegue tocar muitas coisas. Onde não existe uma organização não vai pra frente. Você pode até reclamar mas está ajudando'', justifica.
Presidente da Associação de Moradores e Amigos do São Lourenço, César Paes Leme defende o mesmo ponto de vista. ''É fundamental esse tipo de associação porque a gente tem que acompanhar tudo o que vem sendo feito pelo poder público. É a participação do cidadão não só cobrando mas acompanhando no dia-a-dia'', afirma.

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