Os irmãos Vera e David Sary, 58 e 64 anos respectivamente, foram os primeiros a chegarem à Rua Pretextato Taborda Ribas, no bairro de Santa Quitéria, há 45 anos. A aposentada Úrsula Gueths, 74 anos, mudou-se com a família para uma casa em frente a dos irmãos, três anos depois. E há mais de três décadas que Vera tem o prazer de ser vizinha ''de muro'' da confeiteira Elisabeth Konze Mees, 62 anos. Assim quis o destino que as três mulheres fossem vizinhas e formassem um ''triângulo'' de amizade.
Úrsula, que já foi dona de padaria, presenteia as vizinhas com deliciosas bolachas, mudas, legumes da horta, além de figos, pêssegos, jabuticaba e laranjas do pomar. ''Encho sacolas com frutas da época, alface e tomate cereja e distribuo para todo mundo. É uma forma de agradar meus amigos da rua'', contou. ''Plantei flores no meu jardim com as sementes que a Úrsula me deu. Gosto de fazer bolos e sempre mando pedaços para minhas amigas também'', acrescentou Elisabeth.
''Também gosto de repartir o espinafre e o cheiro verde da minha horta com todo mundo. Minha maionese é uma delícia e quando faço, mando para as duas. O David corta a grama delas também. Já teve época do seo Ivo (marido da Elisabeth) nos levar de carro ao mercado para fazer a feira do mês'', disse Vera, que cuida da netinha da Beth, de cinco anos, sempre que a avó precisa. ''Sei que a Vera e o David cuidam da minha neta até melhor do que eu. É muito bom poder contar com eles. Só não me mudei até hoje para não ficar longe da Vera e da Úrsula'', afirmou Elisabeth.
As vizinhas buscam ser solidárias umas com as outras também na hora de enfrentar o problema da falta de segurança. ''O importante é ter confiança e se ajudar sempre que o outro precisar. Quando viajo aviso as duas para que vigiem minha casa. Na época que a Úrsula e o marido dela trabalhavam, acordavam bem cedinho e só voltavam no final do dia, a gente olhava a casa deles'', lembrou Vera.
''Já levaram vasos enormes de flores da Úrsula. Por isso meu marido parafusou os vasos na parede, para ver se paravam de roubar'', completou Elisabeth. ''Já aconteceu do alarme disparar de madrugada e nosso vizinho acordar para ver o que estava acontecendo. No dia seguinte, disse que poderíamos contar com ele a qualquer momento. Ele sabe que na minha casa só moramos eu, meu marido doente e minha filha'', relatou Úrsula Gueths, que já teve a casa assaltada algumas vezes.
Se as três tiveram sorte grande de serem vizinhas, Vera lamenta a proximidade geográfica com outro morador. ''O vizinho dos fundos passou a nos incomodar muito porque queria comprar nossa casa a todo custo para aumentar o espaço da fábrica dele. Não tinha diplomacia, respeito. Arranjou tanta confusão que tivemos que ir à Polícia devido a falsas acusações, inventou que meu irmão teria envenenado o cachorro dele. Quem nos ajudou foi a Beth e o Ivo (marido da Beth) como testemunhas desse abuso'', lembrou Vera Sary.

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