"Me empresta o Alfredo?". O pedido veio de uma amiga de Grace. "Falo que empresto sim. Aquilo que ninguém consegue consertar, é só entregar para ele", conta. Ela cita como exemplo uma peça que nem mesmo um relojoeiro foi capaz de arrumar. Na sala de estar, por sinal, o relógio de parede de 1929, que pertenceu a
Albino, o pai de Alfredo, teve o maquinário reconstruído pelo filho. "Não meto a mão em nada sem entender o porquê", explica sobre os métodos.
Alfredo é meticuloso. Do estudo de Contabilidade no Ensino Médio, ficou o hábito de registrar todos os gastos. "Se você me perguntar quantos tijolos e sacos de cimento, tenho tudo anotado." Na construção de sua casa, completada no dia 26 de junho de 2000 segundo os seus registros, foram utilizados 42.540 tijolos de seis furos. O assoalho da sala, colocado com as próprias mãos. O armário da área de serviço, feito em sua oficina.
Ainda que com freqüência diga que suas criações "não têm nada de novo", a personalização está em cada detalhe da casa. No vaso que fica na sala de estar, como em todos do jardim, há um gancho. "É que achei pesado ficar carregando para cima e para baixo. Tenho que trocá-lo com os que estão do lado de fora, pois as plantas vão estragando dentro de casa." A alavanca móvel, uma espécie de carrinho que faz o transporte, mais uma vez, foi feita com peças compradas no ferro-velho. "Primeiro faço um rascunho no papel. Depois, vou em busca das peças." "Neste caso", ele completa, "foi só soldá-las." (R.U.)

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