Ambulantes convivem com estrutura deficiente
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
As barraquinhas de artesanatos e produtos importados estão por todo o lado. Não existe uma estimativa correta de quantos vendedores ambulantes existam em Curitiba, mas 1.518 estão cadastrados e têm o direito de vender seus produtos em pontos diversos da cidade.
Problema para a artesã Regina Sales, de 27 anos, que vive dos colares de sementes e das bijouterias que produz. Há sete meses em Curitiba, Regina é de uma tribo caingangue do Rio Grande do Sul. Ela veio com o marido para a capital paranaense para que ele pudesse fazer o curso de pedagogia.
Ela, o marido e dois filhos estão morando no bairro Cajuru. Diariamente, bem cedo, ela pega o que produziu durante a noite e monta a barraquinha na Praça Osório. A gente está conseguindo viver, mas é muita dificuldade que a gente tem que enfrentar. Para vender, é preciso apostar na variedade, diz.
Os colares de sementes, ela conta que aprendeu a fazer muito cedo com as mulheres de sua tribo. É um trabalho difícil, mas aqui eu posso vender meus produtos e ao mesmo tempo cuidar de meus filhos, desabafa.
Gisele dos Santos, de 19 anos, vende vestidos artesanais que possuem preços variados (de R$ 30 a R$ 75). Ela nem sabe costurar ou bordar, mas vê sua patroa fazendo cada detalhe dos vestidos com capricho. O local que tem para vender é a Praça Tiradentes.
Ali, a dificuldade é o preconceito social com os meninos que ficam nas barracas pedindo dinheiro para os freguezes. A gente não vende muito bem aqui por causa da falta de segurança. As pessoas têm medo de vir até a Praça. Param, perguntam o valor, mas quando percebem um menino pedindo dinheiro ficam com medo de tirar a carteira e acabam saindo logo, diz.
A artesã Célia Zimmermann, de 56 anos, faz bolsas e as vende há 35 anos. Sempre viveu dos produtos que faz e não vê muitas dificuldades. Têm anos mais difíceis que outros, mas acostumamos com a sazonalidade. Este ano, as vendas estão mais fracas. As pessoas estão com menos dinheiro. Dá trabalho fazer o produto e vir vender aqui, mas tenho uma freguezia quase fixa. Pessoas que me conhecem há anos e sabem que eu vendo bolsa de qualidade, argumenta. Célia ensinou a arte de fazer bolsas para os filhos e noras. Quando ela vende, outros produzem. Quando ela produz, os filhos e noras vendem. A filha toda hoje é artesã. Às vezes a gente pensa em parar com tudo, mas a gente precisa, explica.


