As barraquinhas de artesanatos e produtos importados estão por todo o lado. Não existe uma estimativa correta de quantos vendedores ambulantes existam em Curitiba, mas 1.518 estão cadastrados e têm o direito de vender seus produtos em pontos diversos da cidade.
  Problema para a artesã Regina Sales, de 27 anos, que vive dos colares de sementes e das bijouterias que produz. Há sete meses em Curitiba, Regina é de uma tribo caingangue do Rio Grande do Sul. Ela veio com o marido para a capital paranaense para que ele pudesse fazer o curso de pedagogia.
  Ela, o marido e dois filhos estão morando no bairro Cajuru. Diariamente, bem cedo, ela pega o que produziu durante a noite e monta a barraquinha na Praça Osório. ‘‘A gente está conseguindo viver, mas é muita dificuldade que a gente tem que enfrentar. Para vender, é preciso apostar na variedade’’, diz.
  Os colares de sementes, ela conta que aprendeu a fazer muito cedo – com as mulheres de sua tribo. ‘‘É um trabalho difícil, mas aqui eu posso vender meus produtos e – ao mesmo tempo – cuidar de meus filhos’’, desabafa.
  Gisele dos Santos, de 19 anos, vende vestidos artesanais que possuem preços variados (de R$ 30 a R$ 75). Ela nem sabe costurar ou bordar, mas vê sua patroa fazendo cada detalhe dos vestidos com capricho. O local que tem para vender é a Praça Tiradentes.
  Ali, a dificuldade é o preconceito social com os meninos que ficam nas barracas pedindo dinheiro para os ‘‘freguezes’’. ‘‘A gente não vende muito bem aqui por causa da falta de segurança. As pessoas têm medo de vir até a Praça. Param, perguntam o valor, mas quando percebem um menino pedindo dinheiro ficam com medo de tirar a carteira e acabam saindo logo’’, diz.
  A artesã Célia Zimmermann, de 56 anos, faz bolsas e as vende há 35 anos. Sempre viveu dos produtos que faz e não vê muitas dificuldades. ‘‘Têm anos mais difíceis que outros, mas acostumamos com a sazonalidade. Este ano, as vendas estão mais fracas. As pessoas estão com menos dinheiro. Dá trabalho fazer o produto e vir vender aqui, mas tenho uma freguezia quase fixa. Pessoas que me conhecem há anos e sabem que eu vendo bolsa de qualidade’’, argumenta. Célia ensinou a arte de fazer bolsas para os filhos e noras. Quando ela vende, outros produzem. Quando ela produz, os filhos e noras vendem. ‘‘A filha toda hoje é artesã. Às vezes a gente pensa em parar com tudo, mas a gente precisa’’, explica.

mockup