Os papéis de parede não são novidade na decoração. Criados na China, 200 anos antes de Cristo, ele era inicialmente produzido com papel de arroz, pintado a mão com cenas cotidianas, e usado para enfeitar palácios e ricas moradias. Com o passar dos anos e o início da produção em larga escala, no entanto, a qualidade foi se perdendo e o item se popularizando, até cair em desuso e ser renegado por muitos anos. Por um período, o papel de parede foi inclusive considerado "over". Virou o "primo pobre" das tintas de parede.
Na avaliação do arquiteto Fabrício Roncca, de cinco anos para cá, no entanto, ele ganhou nova vida no meio da arquitetura e do design. Segundo ele, "com as releituras de materiais clássicos como ladrilhos e pastilhas, os papéis de parede têm ganhado força e conquistado o espaço merecido". Buscando uma identidade própria, tanto o cliente como os profissionais procuram lapidar e refinar essas escolhas para compor o espaço. "Outro fator importante que podemos destacar é o aconchego que o papel de parede traz ao cômodo, deixando o ambiente humanizado e alegre, principalmente em ambientes íntimos e pessoais."
Ele lembra, no entanto, que é preciso usar o material "de forma diligente", para não errar na quantidade e não deixar o ambiente carregado demais. "Primeiramente procure papéis com formas, texturas e cores que você se identifique. Seja original e fuja dos modismos e dos maneirismos. Procure sempre materiais de qualidade, laváveis e duráveis", aconselha. Ele ainda lembra que é importante procurar ajuda de um profissional qualificado na hora de projetar o ambiente, porque todo o contexto do espaço deve estar em harmonia com as texturas, os móveis, a iluminação e os objetos. Entre as novidades do setor há uma infinidade de cores, formas, tipos de materiais (como tecidos, papéis, sintéticos, fibras) e de estampas. "Gosto muito das formas geométricas, das listras e dos temas étnicos, pois podemos criar ambientes com pano de fundo personalizável e com características ímpares, assim o ambiente ganha charme e vida, alegrando a casa e a vida da pessoa", diz.
A designer de interiores Kátia Costa explica que é possível comprar o papel de parede e aplicar sozinho "com uma certa facilidade", porém, aconselha contratar pessoas especializadas para isso por conta da durabilidade do material na parede. "Além disso, são encontrados vários tipos de papel de parede, com mais ou menos qualidade. Atribuo à durabilidade, além da qualidade do papel, à forma de aplicar e usar".

Imagem ilustrativa da imagem Ambientes de roupa nova
| Foto: Gustavo Carneiro
O papel de parede concede aconchego ao cômodo, deixando o ambiente humanizado e alegre, principalmente em ambientes íntimos e pessoais