Ambiente exige coragem dos pesquisadores
Vinte e sete anos, brincalhões, esbanjam jovialidade. Apesar da pouca idade os pesquisadores curitibanos Juliana Stierschultz e Fábio Carneiro Sterzelecki apresentam um currículo de musculatura invejável. Fazem parte do grupo da dra. Lucélia Donatti. Quando nos encontramos estavam se despedindo da EACF, enfrentaram o rigoroso inverno antártico com ventos de até 250 quilômetros por hora e temperatura de 30 graus negativos.
Foram oito meses de pesquisas. O projeto está inserido no Ano Polar Internacional, a temática é o aquecimento global. ''Trabalhamos com peixes antárticos de duas espécies, fazemos experimentos com temperatura, salinidade e PH'' , explica Carneiro.
Pescar é diversão para muita gente. Para Juliana e Fábio era trabalho sério e perigoso. Para o desenvolvimento da pesquisa a coleta dos peixes é etapa fundamental, no entanto fazer isso na Antártica exige coragem. ''Tivemos que abortar diversas missões, os ventos chegaram a 300 quilômetros por hora. É preciso certeza que o tempo estará bom para fazer nossa atividade. Porque se o mar bater e o o bote virar, morreremos ao cairmos na agua'' , relata Carneiro. ''Fizemos pescarias com 10 graus negativos, até essa temperatura tem segurança. Menos que isso os peixes morrem congelados ao saírem da água'', complementa Juliana.
No final de novembro chegou à Antártica mais uma jovem pesquisadora paranaense. Mestranda na UFPR, formada em Biologia, a curitibana Flávia Baduy Vaz da Silva ficará dois meses na estação. Desenvolverá um trabalho sobre a dietas dos peixes, fará o levantamento de indícios da disponibilidade de alimentos na região da Baía do Almirantado. ''Já temos esse trabalho faz alguns anos, com isso é possível analisar se as mudanças têm algo a ver com o aquecimento global, com a poluição'', conclui. (S.R.)





