Amadores treinam para a maratona
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Enquanto atletas profissionais enxergam as provas da Maratona de Curitiba, que serão realizadas no próximo domingo, como uma oportunidade de enriquecer o currículo, os corredores amadores, maioria entre os participantes, atribuem às passadas outros significados: a superação de um momento pessoal difícil, um teste do próprio condicionamento físico, a diversão de correr com os amigos...
Danilo Martins Rahal e Filipe Martinez Santos, ambos estudantes de 16 anos, participarão de uma maratona pela primeira vez. Começamos a correr no início do ano. Participamos da Corrida dos Correios, em março, e depois da Corrida da Graciosa, esta última com um professor que nos incentivou a participar da Maratona de Curitiba, explica Danilo.
Os amigos dizem que já tinham o costume de praticar esportes, e que a motivação principal para ambos começarem a correr foi a idéia de participar da Corrida de São Silvestre, tradicional prova realizada em São Paulo no último dia do ano. A preparação para a maratona exigiu que os amigos intensificassem a rotina de treinos.
Já fizemos um treino de 20 quilômetros e outro de 30. Também estamos fazendo três vezes por semana treinos de 10 quilômetros, além da academia, diz Filipe. É tudo pelo prazer de correr, não encaramos a coisa profissionalmente, relata Danilo.
O médico Camilo Benke, de 29 anos, conta que a namorada, a profissional de educação física Simone Gualdessi,
de 28,
o incentivou a concretizar a idéia de praticar esportes regularmente. Quando começamos a namorar, há uns dois anos, ele me disse que queria fazer o iron man. Eu falei que a gente precisava começar a correr, diz Simone.
Eu era meio sedentário, fazia uma musculação básica, e só, lembra Camilo, que encara a Maratona de Curitiba como uma preparação para as provas do iron man. Hoje, mudei até minha rotina de trabalho em função do esporte. O bichinho mordeu mesmo.
O médico participa pela primeira vez da prova de 42 quilômetros na capital paranaense, mas ele e a namorada já participaram da Maratona de Blumenau. As pessoas acham que é muito difícil correr uma maratona, mas não é, aponta Simone. Eu corro três vezes por semana e não passo dos 15 quilômetros. Não penso na maratona, é tudo muito de brincadeira...
O policial militar da reserva Edeltrudes Rodrigues Bandeira, de 79 anos, do Rio de Janeiro, deve ser um dos corredores mais idosos na Maratona de Curitiba. Seu Edeltrudes afirma que, desde 1979, quando começou a participar de corridas com mais assiduidade, já esteve em umas 800 provas. No domingo, será a quarta vez do policial na Maratona de Curitiba.
Já corri em Belo Horizonte, Vitória, Juiz de Fora, um monte de lugares. Entrei na PM do Rio em 1954 (seu Edeltrudes é patrocinado pela cooperativa da corporação no Rio de Janeiro), comecei a correr e a me destacar nos pelotões. Hoje, a gente sente um pouco o corpo, o joelho sente a pancada, o asfalto é difícil... Agora, cansaço físico e mental, não existe nenhum, garante.


