O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), da Secretaria da Saúde, recebeu 61.093 doações de sangue de janeiro a setembro. Dados preliminares indicam que as doações voluntárias em Curitiba e demais regiões do Estado representam a metade. Em Guarapuava, chega a 75%. A diretora do Hemepar, Suely Zanon Voss, considera o número positivo, mas a meta é atingir 100% em doações voluntárias.
Para isso o Hemepar está investindo no treinamento da equipe de captação de doadores e na coleta nas empresas.
Incentivar a doação voluntária é o grande objetivo dos bancos de sangue pois traz mais chances de aproveitamento do sangue do que a doação de reposição (quando a pessoa doa sangue especificamente para um paciente). ‘‘O doador de repetição tem consciência das condições necessárias para a doação e, por doar regularmente, possui várias sorologias negativas’’, comenta a diretora.
Menor custoUma outra vantagem da doação voluntária é a redução do custo. Como o sangue do doador de reposição nem sempre pode ser aproveitado, gasta-se material e mão-de-obra inutilmente.
Cerca de 25% dos doadores de reposição são considerados inaptos por motivos clínicos e os outros 25% apresentam sorologia positiva para alguma doença. Ou seja, apenas 50% do sangue dos doadores de reposição acaba sendo aproveitado.
Além de diminuir o risco de transmissão de doenças infecciosas e aumentar a segurança dos receptores de sangue, a doação voluntária apresenta menos chances de contaminação através da janela imunológica. Esta janela imunológica pode ser definida como o período em que o teste sorológico não consegue detectar o nível de anticorpos que o organismo produziu contra determinada doença.
Segurança na transfusão Vinculado à Secretaria da Saúde do Paraná, o Hemepar atende 50% dos hospitais públicos e privados conveniados ao SUS do Estado. O Hemepar de Curitiba é o responsável pela implantação e coordenação técnica de toda a política estadual de sangue. As outras 21 unidades da hemorrede estão instaladas nos municípios sede de regionais de saúde (três hemocentros regionais, cinco hemonúcleos e 13 unidades de coleta).
O sangue coletado passa por um rigoroso controle de qualidade para ser aprovado. Seguindo as normas da Associação Americana de Bancos de Sangue (AABB) e do Ministério da Saúde, o Hemepar realiza nove exames de sorologia antes de liberar sangue para transfusão. São feitos testes de doença de Chagas, sífilis, hepatites B e C, HTLV I e II (vírus relacionado a leucemia e alguns tipos de linfoma), TGP (que verifica alterações no fígado), HIV I e II, tipo de sangue e fator RH.
Para controlar a qualidade do sangue, além de exames sorológicos, a equipe do Hemepar realiza triagem dos doadores. Neste procedimento, a pessoa responde um questionário detalhado para verificar se tem um comportamento de risco em relação à Aids ou histórias de doenças passíveis de transmissão via sangue.
O doador também faz o voto de auto-exclusão. É como o ‘‘voto secreto’’, quando a pessoa declara se possui ou não um comportamento de risco para a Aids ou o uso de drogas.

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