O aparecimento de empresas de tecnologia de ponta na área da saúde representou uma verdadeira revolução para a juventude mourãoense. Hoje é comum encontrar jovens com menos de 20 anos exercendo funções técnicas dentro das empresas que fazem parte do APL da Saúde. E a busca por conhecimento parece que tornou-se parte da rotina desses profissionais. A maioria continua estudando e busca cursos superiores, mesmo de outros ramos.
Uma história exemplar é a do funcionário Rodrigo Aparecido Silva, 19 anos. Ex-integrante de um projeto social da prefeitura, o jovem hoje trabalha na área de qualidade da Saubern, fabricante de equipamentos da área de nefrologia, como máquinas para reprocessar filtros de hemodiálise. A empresa, que é graduada, emprega vários ex-alunos da Fundação Educere.
Ele conseguiu vaga em uma das empresas vinculadas à instituição. A ideia inicial era trabalhar com pesquisa e projetos. Mas com a implantação de um programa de qualidade na empresa, o jovem encontrou uma função e hoje diz que pretende seguir nessa área. ''A fundação me abriu as portas para o mundo'', resume.
André Ribas Gonçalves, 21 anos, fez o curso de mecânica em 2001 e hoje atua no setor de Pesquisa e Desenvolvimento. É responsável pelo desenvolvimento de design de estrutura e dos moldes das máquinas produzidas pela firma, que hoje são vendidas para todo o País.
Para ele, o curso na Educere foi importante ''tanto na formação técnica quanto em relação à metodologia utilizada.'' ''Principalmente por incentivar os alunos a estudar vinculado à prática, ao desenvolvimento de uma peça que já seria comercializada. E também o estímulo à área empreendedora, sempre com interesse voltado a buscar algo novo'', afirma o estudante, que faz curso superior em Ciência Econômicas.
Colega de trabalho de Gonçalves, o projetista eletrônico e programador Everton Esteves Lino, 20, conta que sempre teve interesse na área de elétrica e de eletrônica. E que hoje atua na montagem de placas e desenvolvimento de programas de computador para microcontroladores produzidos pela firma. ''Agora, que terminei o curso de Análise de Sistemas, pretendo seguir desenvolvendo projetos eletrônicos aqui na empresa mesmo'', revela.
Alguns alunos da Educere buscaram colocação no mercado de trabalho fora das empresas incubadas e graduadas. Outros optaram por montar negócio próprio, como os sócios da Saubern. E ainda tem quem optou por entrar no ramo incentivado pelo sucesso do projeto. É o caso dos empresários Wagner e Simone Wanderbroock, proprietários da Sieger, que produz equipamentos laboratoriais e também começou na incubadora da fundação e hoje é uma empresa graduada.
Para ele, o diferencial do trabalho é que o projeto nasceu da iniciativa privada. ''O perfil é diferente. É uma fundação extremamente voltada para resultados e para o aspecto humano, com preocupação com a formação de pessoas qualificadas e com atitudes empresariais'', destaca. E outra consequência natural, acrescenta, foi a criação do Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde, que possibilitou também facilidade de acesso a linhas de créditos. (F.R.F.)

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