Alunos querem mais opções de cursos
A instalação das faculdades na RMC não levou em conta as necessidades da região quanto à qualificação dos profissionais. A avaliação é da professora sênior do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPR, Maria Amelia Sabbag Zainko, uma das autoras da pesquisa sobre o Censo da Educação Superior no Paraná.
''Foram disponibilizados os cursos mais fáceis de serem implantados como administração e pedagogia, que não demandam laboratórios e pessoal altamente qualificado'', afirma. ''De maneira geral a qualidade do ensino caiu muito por conta dessa proliferação e oferta grande de vagas sem critérios tão rigorosos para a absorção de pessoal. Também pela falta de titulação dos professores e por não haver pesquisa e extensão, elementos indispensáveis para um ensino de qualidade.''
Elaine Lucyszyn, de 22 anos, aluna do curso de Pedagogia em uma faculdade de Araucária sente falta de mais opções de cursos na cidade e da aplicação da teoria dada em sala de aula. Elaine diz que gostaria de cursar Biologia mas mudou de opção porque o curso não é ofertado em Araucária e ela não pode estudar fora.
'Não existe ensino de qualidade sem pesquisa. Pesquisa como busca por inovação, acesso ao dinamismo que é a produção do conhecimento hoje. Se a instituição se abstém disso, a formação fica distante do que é preciso para incentivar uma atuação do aluno como cidadão na sociedade'', explica Maria Amélia.
De acordo com o presidente do Sinepe/PR, José Manoel de Macedo Caron Junior, os critérios para a seleção dos alunos dependem de cada instituição, a titulação dos professores é importante apenas para a carreira pública e não garante a qualidade do trabalho em sala de aula. Para ele, as faculdades privadas buscam se solidificar como instituições de qualidade ''até por questão de sobrevivência''. ''Senão é questão de tempo para ter problemas'', defende. (D.R.)





