Alunos querem falar e ser ouvidos
Ser ouvido e receber orientação. São essas duas coisas que os estudantes ouvidos pela Folha durante a ronda mais querem do restante da comunidade escolar. Eles apontam que muitos dos problemas da violência dentro dos colégios têm origem no uso de drogas e que o combate deve ser através do diálogo franco.
Clóvis Garcia Carneiro, 21 anos, está no 3º colegial e resume bem o sentimento dos adolescentes: ''por uma parte a escola incentiva a gente a melhorar. Mas, por outra, falta uma conversa maior com os alunos. A gente não tem abertura para dialogar''.
Ele diz que nunca teve problemas de relacionamento com os colegas mas sabe que muitos agem de forma pouco respeitosa, inclusive com os professores. Mas isso, segundo o estudante, está melhor depois que a Patrulha começou a atuar no colégio. ''Modificou o comportamento dos jovens dentro da escola'', garante. Ele elogiou que ''o relacionamento com os policiais é mais de amizade do que de autoridade''.
As colegas de classe Raquel Cristina Mainan, 16 anos, Maria Lúcia de Almeida, 17 anos, e Miriam Silva, 18 anos, também apoiam a patrulha. ''Foi ótimo porque trouxe mais segurança para a gente'', comentam as jovens, que todo dia se deslocam do Distrito de Warta (zona norte) até o centro para concluírem o ensino médio. ''Eles não são autoritários'', completa Raquel. Maria Lúcia reclama que mudou de colégio neste ano porque o antigo ''parecia uma prisão''. ''Era tudo cheio de grade'', observa. As três, assim com Carneiro, também acham que poderia haver mais entrosamento entre educadores e estudantes. ''Eles poderiam orientar mais os alunos. A gente não tem confiança para falar tudo para o professor.''





