''Ela começou a falar palavras com oito meses e com um ano já falava frases.'' Foi a surpresa de Roseli Andrade Ferreira, mãe de Margot Andrade Ferreira Oliveira, 12 anos. A jovem fala alemão, aprendeu a tocar piano sozinha, é a terceira colocada em sua categoria no campeonato paranaense de hipismo. Todas as habilidades demonstradas por Margot representam uma característica. Ela tem superdotação global, o que representa estar acima da média em quase todas as áreas das altas habilidades (linguística, lógica matemática, corporal cinestésica, musical, naturalista, espacial, intrapessoal e interpessoal).
Margot pretende estudar no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e seguir para Nasa, onde concretizaria seu sonho, ser astronauta. ''Quero trabalhar na Nasa, nem que seja para limpar o chão, mas vou. Um dos meus ídolos é o Neil Armstrong'', disse a garota, que convenceria qualquer um com sua determinação e sua inteligência alimentada por pelo menos três livros ao mesmo tempo, muito jogo de xadrez, além de uma imaginação fértil, estimulada pelo pai, Alcides Nicolau Oliveira.
Já Matheus Condessa Franke, 13 anos, é um artista. Sua casa é forrada com quadros de sua autoria. De poucas palavras, ele disse que gosta de pintar paisagens e figuras abstratas. Matheus é um caso diferente. A superdotação dele é genética, passou de pai para filho. André Luis Franke também tem altas habilidades. Diferente de seu filho, não teve acompanhamento.
Matheus e Margot fazem parte da Sala de Recursos do Instituto de Educação, mas estudam em escolas particulares, além de terem em comum o adiantamento de séries. Eles são alunos de oitava série, do ensino fundamental.
Os dois pré-adolescentes são exemplos de crianças com altas habilidades, mas nem sempre é simples de identificá-los. A conclusão dos especialistas é de que a discussão e a capacitação de mais professores nesta área ainda engatinha com alunos que caminham mais rápido que o sistema educacional brasileiro. (D.R.)

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